Introdução: Estudos recentes demonstram que a deficiência de ácido fólico (AF) tem sido associada ao diabetes mellitus (DM). Ademais, sugere-se que a suplementação dessa substância opera como efeito neuroprotetor em diversas condições neurológicas, contribuindo inclusive para o reparo de danos a nervos periféricos, essa descoberta vislumbra a possibilidade do desenvolvimento de novas abordagens para a prevenção e tratamento da neuropatia diabética ND. Objetivo: O estudo tem como objetivo realizar uma revisão sobre o papel da suplementação do AF na ND através da análise dos resultados de exames de eletroneuromiografia (ENMG), histopatológicos, laboratoriais e da avaliação clínica realizada em modelos humanos e animais. Métodos: Trata-se de um estudo de revisão de literatura o qual utilizou bases de dados como PubMed, MEDLINE e LILACS para selecionar artigos entre 2000 e 2019. Foram incluídos os trabalhos com a combinação dos descritores: “folic acid” e “diabetic neuropathy”. Resultados: O estudo com modelos animais avaliou a resposta ao teste do plano inclinado, o qual verifica o desempenho clínico motor dos ratos. Após um mês de ensaio observou-se que o ângulo máximo atingido pelas cobaias que utilizaram placebo foi menor se comparado ao grupo controle (p < 0,001), já aquelas em uso do AF apresentaram um ângulo máximo significativamente maior (p < 0,05). No mesmo trabalho, a ENMG indicou que a cobaias em tratamento com AF apresentaram maior amplitude do potencial de ação muscular composto (PAMC) no nervo isquiático (p < 0,05), enquanto a latência e a duração desse potencial foram menores quando comparadas à amostra que utilizou placebo (p < 0,05). O resultado do exame histopatológico demonstrou que espessura da fibrose epineural foi significativamente menor no grupo com a suplementação, à medida que o fator de crescimento neural estava aumentado nas células de Schwann. Outro trabalho, pioneiro em humanos, avaliou a velocidade de condução nervosa (VCN) em pacientes já portadores de ND, sendo encontrada uma diferença significativa entre os grupos. Verificou-se um acréscimo na amplitude do componente sensorial do nervo sural (p < 0,001), assim como amplitude (p = 0.001) e velocidade (p = 0.001) do componente motor dos nervos tibial e peroneal. A latência inicial apresentou valor reduzido em ambos os nervos (p = 0,011; no nervo tibial e p= 0,019; no nervo peroneal). Conclusão: Nos ensaios citados a maioria dos valores de ENMG, exames laboratoriais, histopatológicos e clínicos expressaram benefícios nos grupos suplementados com AF verificando um possível efeito protetor e de melhora na progressão da doença com o uso da substância. Portanto, estudos com maior número de amostras são necessários para confirmação e extrapolação desses resultados, possibilitando a indicação do AF como medida terapêutica.