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Published By Universidade Do Estado Do Rio De Janeiro Uerj

2317-0808

Author(s):  
Stela Maria Sardinha Chagas de MORAES
Keyword(s):  

Nascido no interior de Minas Gerais, médico dedicado e diplomata renomado,Guimarães Rosa sempre deu provas de sua inclinação para línguas. Daí, a linguagem rica e pitoresca, cheia de regionalismos, presente em sua obra. Publicado em 1962 e muito difundido pelos meios de comunicação, Primeiras Estórias reúne vinte e um contos que, de acordo com Renard Perez, dão prova de “surpreendentes pesquisas formais” que conferem à coletânea de contos um caráter de beleza e estranhamento, a um só tempo. Nascido em Beira, em 1955, biólogo por formação, jornalista e militante do FRELIMO, Mia Couto é um dos autores contemporâneos de língua portuguesa mais estimulantes graças a sua criatividade do ponto de vista lexical e semântico. Esses verdadeiros “exercícios de língua e expressão”, que se depreendem de forma muito nítida em Estórias Abensonhadas, remetem ao que Cristiane Costa define como um “traço de família” entre as produções de Mia Couto e Guimarães Rosa. Um estudo de caráter comparatista entre as obras desses dois grandes nomes da literatura lusófona parece se impor, portanto, de maneira indubitável, remetendo, paralelamente, à discussão quanto às noções de singularidade linguística, estranhamento e traduzibilidade.


Author(s):  
Marcelo Moraes CAETANO

Este artigo parte da noção básica de que a Semântica é a ciência do sentido.Dessa forma, tudo o que disser respeito às maneiras pelas quais o ser humanose comunica, produzindo e recebendo sentido, deve ser contemplado por essaciência. Uma vez que a linguagem, atributo humano, produz comunicação pormeio das palavras, é necessário que esse mesmo mecanismo produtor estejasempre como foco das preocupações das análises semânticas. Sabemos queexistem aliados à palavra outros signos (nem sempre linguísticos, mas tambémsemióticos) que também merecem, portanto, atenção. Além disso, os estudosque levam em consideração a linguagem como ato ou ação (a Pragmática e ovalor que empresta à noção de “situação”) são de valor capital aos estudos daSemântica, uma vez que não se alcança a integridade do sentido sem que seencareçam essas contribuições. A natureza do discurso e do texto, formas muitopróximas e nem sempre com distinção discreta, deve também ser pesquisada,uma vez que a ideia de “contexto” é fundamental para a busca de sentidos. Porfim, as próprias noções gramaticais de morfologia e sintaxe, partes menoresdo texto e do discurso, fundamentam a produção e a recepção de sentidos,tornando-os suscetíveis de serem analisados à luz de regras (gramaticais) quepermitem que um idioma, expressão concreta da linguagem e da comunicaçãohumanas, se perfaça.


Author(s):  
Jorge De Azevedo MOREIRA

Entender um texto enquanto discurso implica não tratá-lo como uma estruturacuja forma possui um sentido monolítico, mas, ao contrário, como um conjuntocompósito, no qual vozes diversas se mesclam. Além disso, pode-se considerar um texto como um dispositivo de inter-relação entre sujeitos, criado a partir de um projeto específico e regido por contratos sociais. Para estudar brevemente essas duas perspectivas que se articulam num texto, iremos nos servir sobretudo da análise semiolinguística do discurso cujos princípios vêm sendo estabelecidos no longo percurso teórico de Patrick Charaudeau. A partir de suas ideias, aplicaremos o que chamamos de efeitos documentários e efeitos literários numa análise prática, a fim de discutir as estratégias discursivas que cumprem esse contrato. Nosso corpus se compõe do romance Incidente em Antares (1971), do escritor brasileiro Erico Verissimo. Há algumas razões para essa escolha: o espaço dialógico dos personagens é muito rico discursivamente, na medida em que representam pontos de vista ideológicos diversificados; esses pontos de vista, que podem, de certa maneira, ser divididos entre os tradicionais conceitos políticos de “direita” e “esquerda” se acham até hoje válidos para o Brasil contemporâneo; e o ano de 2015 marca os quarenta anos da morte de Erico Verissimo, um dos maiores romancistas brasileiros.


Author(s):  
Pedro Armando de Almeida MAGALHÃES
Keyword(s):  

A obra de Marcel Proust foi alvo de vários estudos no Brasil, dentre os quais sedestaca o ensaio do crítico de jornal Alvaro Lins, que publica em 1956 A técnicado romance de Marcel Proust. Nesse trabalho, Alvaro Lins busca examinar emque medida A la recherche du temps perdu se enquadraria no gênero romance,valendo-se da análise que Sainte-Beuve faz à obra de Balzac. Ora, é curioso queLins tenha fundamentado seu ensaio justamente em tal crítico francês, pois estehavia sido alvo de duras críticas por parte do autor que busca analisar, MarcelProust, em Contre Sainte-Beuve. Cabe portanto averiguar como se resolve essaaparente contradição, e qual a proximidade ou distanciamento de Lins comrelação a seu modelo, Sainte-Beuve. Fazendo-se um paralelo entre os dois críticos, nota-se que Lins demonstra grande acuidade ao assinalar a complexidade de todo romance. Com respeito à Recherche, ressalta a circularidade da obra, sendo cuidadoso no exame das personagens ao assinalar com bastante propriedade a questão do fracionamento do eu, muito embora ainda pareça confundir a figura do narrador com a do autor. Taxado de impressionista por muitos, inclusive pelo colega Afrânio Coutinho, Alvaro Lins merece, no entanto, um olhar cuidadoso, por demonstrar grande perspicácia e erudição no ensaio sobre Proust, contribuindo assim para a evolução dos estudos literários no Brasil.


Author(s):  
Renato De MELLO

Nesta intervenção, nós nos propomos mostrar como as ferramentas própriasda teoria Semiolinguística (TS) de Charaudeau (1983,1992) podem se revelarúteis quando do tratamento dos textos literários em classes de Francês LínguaEstrangeira (FLE). É necessário ainda precisar que a TS é frequentemente empregada por vários pesquisadores do Laboratório de Análise do Discurso da UFMG. Tomaremos como ponto de partida uma noção muito recorrente em Análise do Discurso e que pode nos ajudar a compreender melhor o texto literário: a noção de contrato de comunicação, segundo a TS. Trataremos de dados que constituem a situação de comunicação que é “... o quadro físico e mental dentro do qual se encontram os parceiros da comunicação, os quais são determinados por uma identidade psicológica e social e interligados por um contrato de comunicação”. Nesse quadro estão os sujeitos comunicantes e os sujeitos interpretantes, ou seja, sujeitos que se comunicam entre si, que trocam atos de linguagem na esperança de chegar a uma certa intercompreensão. Os sentidos dessas trocas dependem, em grande parte, das condições relacionais que os sujeitos mantêm entre si e das condições psicossociais nas quais eles se encontram. A “co-construção” do sentido (em especial no domínio do texto literário) não é jamais aleatório. Ela ocorre em situações que, na medida em que são vivenciadas, terminam por se estabilizar em tipos ou em gêneros, constituindo assim espaços de restrição e valores de referência para os parceiros da troca. Estes, como atores em um mundo de papel (o texto literário), são obrigados a agir de acordo com as circunstâncias discursivas impostas pelos seus respectivos papéis neste mundo.


Author(s):  
Irene De PAULA

O presente artigo se inscreve no contexto da reflexão sobre o papel da literaturana constituição de subjetividades na contemporaneidade pós-moderna. A fimde problematizar oposições intransponíveis entre “escritas de si” e narrativasficcionais, verossímil e inverossímil, real e fictício, buscarei pensar as estratégiasnarrativas empregadas por Marie NDiaye, no “autorretrato fantástico” Autoportraiten vert, para se inscrever literariamente enquanto singularidade. Trata-se demostrar como a construção ou a desintegração da realidade operando em diversossentidos – que vão do anuviamento interior (presente fantástico) à encenaçãoe (re)apropriação do “eu” pela escrita (presente na narrativa autoficcional) –afetariam a busca identitária e a expressão da alteridade da autora-narradora,sinalizando para uma impossibilidade de realização plena no mundo real.


Author(s):  
Márcia Da Anunciação Barbosa GAMAURY

No presente artigo, faço a análise de discursos correntes sobre o tradutorliterário presentes no jornal francês Le Monde (versão Internet), utilizandocomo corpus artigos publicados entre os anos de 2000 e 2005. A Análise doDiscurso de Michel Pêcheux constitui a base teórica deste trabalho que mostraas imagens predominantes do tradutor literário nesses discursos e o porquêdessas imagens. Na primeira imagem mostro alguns adjetivos utilizados comoreferência ao tradutor: assassino, cleptomaníaco, solitário, invisível. Na segunda,observo que o tradutor é visto como um passeur, uma ponte necessária Naterceira, noto que o nome do tradutor literário é inúmeras vezes esquecidonos artigos sobre novas traduções, no suplemento literário do jornal Le Monde.Na quarta e última imagem, mostro a presença do mito de Babel nos discursossobre o tradutor literário.


Author(s):  
Renato Venancio Henriques de SOUSA

Nosso artigo tem por objetivo analisar os sentidos da viagem em dois textosda autora francesa Alexandra David-Néel (1868-1969), Mystiques et magiciensdu Tibet (1980) e Voyage d’une Parisienne à Lhassa (1964), e suas relações comas biografias escritas por Jean Chalon (1984) e Joëlle Désiré-Marchand (2012),bem como com ensaios sobre a narrativa de viagem. Na introdução, faremosum breve relato da vida movimentada da orientalista francesa. Em seguida,discorreremos sobre o relato de viagem como gênero literário apoiando-nosem diversos autores que se debruçaram sobre o assunto. Na terceira partede nosso artigo, analisaremos os dois textos que nos ocupam, privilegiandoalguns aspectos que evidenciam os sentidos da viagem dessa exploradora cujadivisa era «ou viajar, ou mofar» [ou partir, ou pourrir] (CHALON: 1993, p. 367) e que era denominada «a mulher das solas de vento» [la femme aux semelles de vent]. Depois de ter chegado a Lhassa, em 1924, que na época era um território dominado pelos ingleses, Alexandra David-Néel tornou-se uma celebridade nos meios literários com a publicação do livro que relata essa proeza.


Author(s):  
Renato Venâncio Henrique de SOUZA ◽  
Ana Lúcia Monteiro Ramalho Poltronieri MARTINS ◽  
Ana Maria Gini MADEIRA

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