A AUTOFICÇÃO FANTÁSTICA AUTOPORTRAIT EN VERT DE MARIE NDIAYE OU O “EU” QUE VACILA COMO UM RIO TURVO
O presente artigo se inscreve no contexto da reflexão sobre o papel da literaturana constituição de subjetividades na contemporaneidade pós-moderna. A fimde problematizar oposições intransponíveis entre “escritas de si” e narrativasficcionais, verossímil e inverossímil, real e fictício, buscarei pensar as estratégiasnarrativas empregadas por Marie NDiaye, no “autorretrato fantástico” Autoportraiten vert, para se inscrever literariamente enquanto singularidade. Trata-se demostrar como a construção ou a desintegração da realidade operando em diversossentidos – que vão do anuviamento interior (presente fantástico) à encenaçãoe (re)apropriação do “eu” pela escrita (presente na narrativa autoficcional) –afetariam a busca identitária e a expressão da alteridade da autora-narradora,sinalizando para uma impossibilidade de realização plena no mundo real.