scholarly journals PENSANDO NO FUTURO: A EDUCAÇÃO ESCOLAR NO ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER

Ensaios USF ◽  
2020 ◽  
Vol 4 (1) ◽  
pp. 75-83
Author(s):  
Carlos Roberto Da Silveira ◽  
Vânia Baptista Cruz

Este trabalho, trata-se de uma pesquisa de Iniciação Científica sobre o fenômeno da violência doméstica contra a mulher, através de uma pesquisa exploratória, bibliográfica documental com dados da Secretaria da Mulher, do “Projeto Maria da Penha vai às Escolas” de MG, do Gibi, “As Marias em: Maria da Penha vai às escolas!”, da Lei Maria da Penha, dentre outros. Acreditamos que, para a conscientização do tal fenômeno, seja imprescindível uma ação educacional mais profunda, em especial, no período “Escolar”, ou seja, nos Ensinos  Fundamental e Médio, com normas educativas e espaços mais amplos de discussão que visem à compreensão das crianças e adolescentes sobre a violência doméstica (aqui em especial sobre a violência contra a mulher), no sentido de unirmos forças não somente quanto aos adultos e infratores, mas quanto às crianças e adolescentes que serão estes homens do futuro.  Assim sendo, analisamos a “Sugestão de Atividades Pedagógicas: Projeto Maria da Penha vai às escolas” do Estado de Minas Gerais, bem como o Gibi, “As Marias em: Maria da Penha vai às escolas!” que integram as ações quanto às atividades pedagógicas nas escolas mineiras. Portanto, esperamos contribuir de alguma forma para se repensar este fenômeno de violência no Brasil, isso a partir das crianças e adolescentes, no sentido de auxiliar na busca da igualdade, do respeito entre gêneros numa cultura da paz, e quem sabe, a experiência em Minas Gerais possa também ser aplicada em nossa região, contribuindo para uma sociedade mais justa e humana.

2017 ◽  
Vol 22 (10) ◽  
pp. 3457-3465
Author(s):  
Cristiane Magalhães de Melo ◽  
Talita Iasmim Soares Aquino ◽  
Marcela Quaresma Soares ◽  
Paula Dias Bevilacqua

Resumo Objetivamos avaliar a implementação de uma rede regional de vigilância do óbito, refletindo sobre desafios e potencialidades de atuação enquanto observatório da violência contra a mulher. A pesquisa envolveu nove municípios de uma região de saúde da Zona da Mata de Minas Gerais. Acompanhamos reuniões do comitê regional de vigilância do óbito e realizamos entrevistas semiestruturadas com seus profissionais e com gestores municipais de saúde. Também analisamos informações sobre investigações realizadas e, para um município, analisamos de forma integrada notificações de óbito e de casos de violência contra a mulher. Os resultados apontam dificuldades como: falta de reconhecimento da atividade de vigilância do óbito; sobrecarga de trabalho; comunicação falha entre instituições e precariedade de recursos, infraestrutura e capacitação profissional. Também foram relatados avanços: maior interação entre municípios, crescimento das investigações e conscientização da importância da vigilância do óbito entre os/as trabalhadores/as. Identificamos, com as investigações dos óbitos, casos de violência doméstica, obstétrica e institucional. A vivência enquanto comitê regional amplia o fortalecimento da vigilância dos óbitos e da rede de atenção às mulheres em situação de violência.


2017 ◽  
Vol 9 (1) ◽  
pp. 22-41
Author(s):  
Erika Oliveira Amorim ◽  
Maria Beatriz Nader

O presente texto aborda a violência contra a mulher com enfoque em uma cidade de pequeno porte, localizada no interior de Minas Gerais. Analisa a violência doméstica e familiar como um fenômeno social que atinge todas as classes sociais e que encontra no espaço privado, seu maior campo de atuação. Tem como ponto de partida as narrativas de uma mulher que foi agredida pelo companheiro, está sob medida protetiva de urgência e faz acompanhamento psicossocial no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) na cidade de Carangola, Minas Gerais.


Author(s):  
Claudia Danielle Andrade Ritz

Este estudo teve por objetivo compreender a violência doméstica experienciada por sete mulheres pentecostais e identificar os aspectos sociorreligiosos presentes. Para tanto, utilizamos de pesquisa exploratória qualitativa composta por referencial bibliográfico e pesquisa de campo. Acerca do referencial bibliográfico, focamos nos três eixos temáticos da nossa pesquisa: violência doméstica, relações de gênero e pentecostalismo. Na pesquisa de campo utilizamos questionário estruturado e realizamos entrevistas individuais. Nossas entrevistadas foram identificadas a partir dos critérios: experiência de violência doméstica, maioridade civil, ser pentecostal e aceitar livremente participar da pesquisa. Foi possível entrevistar sete mulheres pentecostais, contingente da nossa pesquisa de campo. A partir dos estudos bibliográficos e da pesquisa de campo, notamos que a violência doméstica tem característica de violência de gênero. As relações de gênero mostram desigualdades marcadas por poder e dominação, oriundos de construções socioculturais. Partindo dos dados coletados, observamos que o perfil socioeconômico das entrevistadas é condizente com a predominância brasileira de pobreza e estudo formal limitado. Na violência doméstica, os principais agressores são os cônjuges. Há ocorrência de várias formas de violência e de maneira reincidente no decorrer de décadas, com predominância na manutenção do vínculo matrimonial. A descendência vivencia a violência doméstica que se desenrola nas casas. Acerca do aspecto religioso, constatamos que a religiosidade das entrevistadas permeia os discursos e orienta os cotidianos. Anseios, sonhos e perspectivas vindouros de natureza social, econômica e religiosa, são adornados por crenças e pela fé que as mulheres professam. O pentecostalismo enquanto meio norteador para a prática religiosa é caracterizado pelas entrevistadas como benéfico sob vários aspectos e contextos. No entanto, não identificamos nos discursos das entrevistadas elementos de natureza religiosa e da pertença pentecostal que favoreçam relações de gênero mais equitativas e que contribuam ativamente para o cessar da violência doméstica que experienciam.


Author(s):  
Walquíria Jesusmara dos Santos ◽  
Patrícia Peres de Oliveira ◽  
Selma Maria da Fonseca Viegas ◽  
Thiago Magela Ramos ◽  
Aryanne Gabrielle Policarpo ◽  
...  

Objetivo: Compreender as representações sociais de profissionais da Atenção Primária à Saúde sobre violência contra a mulher perpetrada por parceiro íntimo.Método: Pesquisa qualitativa com o enfoque nas Representações Sociais, analisado pela Análise Estrutural da Narração. Foram realizados oito grupos focais, o número de participantes variou de 8 a 12, totalizando 53 profissionais de oito unidades de Atenção Primária à Saúde de um município de Minas Gerais, Brasil.Resultados: Emergiram duas categorias: 1. Do ditado popular à banalização da violência conjugal contra mulheres, identificando-se os núcleos de sentido: “não se interfere em briga de casal”; “naturalização da violência legitimada nas representações sociais. 2. Representações sociais numa perspectiva de gênero, decorrida dos núcleos de sentido: “representações associadas aos papeis de gênero”; “imputação de culpa à mulher”.Conclusão: O estudo demonstrou que a violência contra as mulheres é legitimada, aceita e tolerada nas falas dos participantes, como algo imputado/inerente à mulher.


2013 ◽  
Vol 21 (4) ◽  
pp. 457-464 ◽  
Author(s):  
Carlos Eduardo Leal Vidal ◽  
Bárbara de Freitas Pereira Yañez ◽  
Camille Villefort Silva Chaves ◽  
Carolina de Freitas Pereira Yañez ◽  
Isabela Assis Michalaros ◽  
...  

Estimar a prevalência de Transtornos Mentais Comuns (TMC) e o uso de psicofármacos em mulheres atendidas na rede básica de saúde. Estudo transversal utilizando o Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20) em mulheres usuárias das Unidades Básicas de Saúde de Barbacena, Minas Gerais, em 2013. Foram entrevistadas 360 mulheres. A prevalência de TMC foi de 41,7% (IC95%=36,6-46,8). As variáveis que se mostraram associadas à presença de TMC no modelo de regressão logística foram: consulta com psiquiatra (OR=5,40; IC95% 2,44-11,92), fazer uso de bebidas alcoólicas (OR=5,97; IC95% 2,31-15,42) e história de violência doméstica (OR=7,15; IC95% 1,80-28,35). Cerca de 30% das mulheres fazia uso de psicofármacos. A prevalência elevada de TMC e o uso de psicofármacos reforçam a importância do conhecimento desse tema pelos profissionais da área da saúde.


2015 ◽  
Vol 27 (2) ◽  
pp. 114-122 ◽  
Author(s):  
Roberta Carvalho Romagnoli

Este artigo discute os dados qualitativos da pesquisa “Violência Doméstica perpetrada contra a mulher no município de Montes Claros: um recorte possível”, financiada pelo CNPq e pela FAPEMIG. O objetivo do estudo foi investigar quantitativamente e qualitativamente os atos violentos contra as mulheres na cidade de Montes Claros, Minas Gerais. A vertente qualitativa pretendia conhecer o sentido da violência para as mulheres envolvidas e seus reflexos na família, através de entrevistas semiestruturadas que não se efetivaram. A partir da Análise Institucional de René Lourau analisamos essa inviabilidade como dado qualitativo, examinando o cotidiano da delegacia após a lei Maria da Penha. Concluímos que a intervenção judicial não é suficiente para a inibição da violência contra a mulher, pois em certos casos afasta da delegacia mulheres com outras demandas acerca da violência, que sofrem e que não podem contar com a ajuda policial para a resolução dos seus conflitos.


2019 ◽  
Vol 3 (1) ◽  
pp. 17-40
Author(s):  
Maria Isabel Silva ◽  
Bruno Bordin Pelazza ◽  
Janeth Helta Souza

A saúde, ao contrário do modelo biomédico e curativo, não pode ser conceituada apenas como bem-estar físico. Para que se promova saúde, além dos atendimentos necessários visando reduzir a dor humana, há que se intervir no contexto reduzindo as vulnerabilidades sociais de forma a alterar a realidade, gerando um território saudável e por consequência, a redução dos índices de adoecimento. Este artigo pretende apresentar relato de experiência da associação de práticas educativas e saúde nos contextos comunitários de violência e criminalidade, destacando as vivências do programa “Viva Mais” do complexo dos bairros da zona Oeste do município de Uberlândia, Minas Gerais. Em instituição local, uma equipe interdisciplinar triava e cadastrava os moradores de acordo com renda e número de membros da família, sendo convidados a participar, quinzenalmente, de sessões de filmes, palestras, grupo de apoio e artes. Nos resultados de frequência e assiduidade aos grupos bem como na análise do discurso e comportamento, o público atendido superou as expectativas propostas, debatendo temas como educação, prevenção à violência, violência doméstica e sua relação com a saúde. Nesse sentido, nota-se a relevância de mais estudos e propostas de intervenção a fim de se estabelecer estratégias para educação e promoção da saúde com perspectivas intersetoriais, formando profissionais, multiplicadores e educadores que busquem, além do atendimento humanizado, a redução das consequências prejudiciais da criminalidade e violência como reflexo na educação e saúde dos moradores e/ou trabalhadores dessas comunidades.


2019 ◽  
Vol 12 (2) ◽  
pp. 133-152
Author(s):  
Yara Lopes Singulano ◽  
Karla Maria Damiano Teixeira

O presente trabalho objetivou analisar em que medida o acesso à informação poderia impactar a percepção de adolescentes sobre o fenômeno da violência doméstica e familiar contra as mulheres, partindo-se da premissa de que ações educativas são eficientes para promover a prevenção desse tipo de violência. Para tanto, buscou-se, especificamente, auferir a opinião dos participantes a priori, bem como posteriormente à realização de uma oficina pedagógica, comparando-se seus posicionamentos nesses dois momentos. Sete adolescentes, alunos de uma escola pública do interior de Minas Gerais, foram entrevistados e responderam, ainda, um questionário em escala do tipo Likert, e suas respostas foram analisadas através do método de análise de conteúdo. Os resultados apontaram que ações pontuais que promovam o acesso à informação, como oficinas e palestras, têm sua eficácia limitada para alterar as percepções dos participantes; ou seja, são insuficientes para fomentar uma análise crítica acerca dos modelos sociais hegemônicos, como a organização patriarcal da família e a divisão sexual de tarefas, e sobre o próprio fenômeno da violência doméstica e familiar. Nesse sentido, pode-se concluir pela necessidade de inclusão das discussões sobre questões de gênero no cotidiano escolar, através de políticas educacionais que contemplassem toda a trajetória escolar dos indivíduos. Além disso, ficou evidenciado que o discurso midiático exerce uma influência significativa sobre a percepção dos adolescentes, tornando-se indispensável sensibilizar a mídia sobre o problema da violência de gênero, para que adote uma abordagem não-sexista e não-violenta.


2021 ◽  
Vol 15 (1) ◽  
pp. 112-121
Author(s):  
Janael da Silva Alves

Os crimes de violência doméstica contra a mulher são caracterizados como aqueles que acontecem no âmbito das relações familiares, esta modalidade criminosa veio a ser considerada uma política pública a partir do ano de 2006 com a edição da lei nominada “Maria da Penha” quando os crimes de violência doméstica passaram a ser monitorados com maior acuidade pelos governos e órgãos de segurança pública. Por meio deste trabalho se vai realizar uma análise descritivo comparativa dos registros de crimes de violência doméstica contra a mulher ocorridos no ano de 2018 nas regiões Sul e Norte do Estado de Minas Gerais, buscando a possível relação entre os indicadores socioeconômicos destas regiões e os registros de violência doméstica. O trabalho foi desenvolvido utilizando-se de fontes de dados oficiais divulgados por meio de sites do governo de Minas Gerais. Descobriu-se existe uma correlação entre indicadores econômico sociais favoráveis e o alto número de registros de ocorrências de violência doméstica.


e-xacta ◽  
2014 ◽  
Vol 7 (1) ◽  
Author(s):  
Keila Pereira Almeida ◽  
Bernardo Jeunon de Alencar

<p align = "justify">Neste trabalho realizou-se uma análise espacial sobre a criminalidade contra a mulher no município de Betim sob a ótica da Lei Maria da Penha. A lei foi criada em 2006 com o propósito de prever assistência e proteção para a mulher em situação de violência. Utilizando a base de dados cedida pela Polícia Militar de Minas Gerais, foi possível fazer um roteiro metodológico nos anos de 2008 a 2010 relacionando tipos de crimes, bairros, quantidades de ocorrências e outros requisitos e analisar prováveis pontos que necessitam de campanhas educacionais em função do conhecimento das leis e suas sanções e policiamentos para minimizar esse transtorno, que é a violência doméstica. Os resultados dessa análise podem ser visualizados por meio de gráficos específicos e mapas da densidade espacial e os representativos dos crimes com maiores índices de registros.</p>


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