Maloca: Revista de Estudos Indígenas
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Published By Universidade Estadual De Campinas

2675-3111

2021 ◽  
Vol 4 ◽  
pp. e021015
Author(s):  
Caio Monticelli

O objetivo deste trabalho é apresentar a maneira pela qual os Taurepáng, povo indígena que vive no norte do estado de Roraima, cultivam a mandioca. De modo complementar, busca-se analisar como a prática ritual da religião adventista por parte dos moradores do Bananal, a maior comunidade taurepáng no Brasil, se relaciona com essa atividade. Ao longo do cultivo da mandioca, os Taurepáng precisam estar atentos a uma série de cuidados para com a planta, pois, capaz de retribuir afetos e desafetos, ela se vinga das pessoas que a desrespeitam. Porém, em vez de recorrerem ao possível espírito dono da mandioca para obter sucesso na plantação, os Taurepáng do Bananal optam por uma alternativa inerente à sua escolha religiosa: reivindicar Jesus Cristo enquanto entidade superior aos donos das espécies animais e vegetais que povoam o cosmos.


2021 ◽  
Vol 4 ◽  
pp. e021014
Author(s):  
Nathalie LeBouler-Pavelic

Pretendo nesta apresentação evidenciar o papel dos encantados – principais entidades da cosmologia tupinambá – como “agentes educativos” na educação indígena tupinambá de forma geral, mas também na educação escolar indígena, no âmbito do Colégio Estadual Indígena Tupinambá Serra do Padeiro (CEITSP), localizado na aldeia Serra do Padeiro, na Terra Indígena Tupinambá de Olivença. Apontarei, assim, para o fato de que a transmissão de saberes na Serra do Padeiro, tanto aquela de caráter informal quanto aquela sistematizada no âmbito da educação escolar indígena, é indissociável das ações dos encantados. Ao levar em consideração os trabalhos desenvolvidos tanto no Nordeste brasileiro quanto a literatura referente à Amazônia, evidenciarei como a gestão escolar do CEITSP é compartilhada com os encantados, uma vez que “trabalham”, de várias formas, no/para o Colégio e de que forma além desta particularidade, o CEITSP atende também estudantes não indígenas. Chamarei então a atenção para as relações interétnicas entre Tupinambá e não indígenas, bem como entre humanos e encantados neste contexto.


2021 ◽  
Vol 4 ◽  
pp. e021012
Author(s):  
Leandro Durazzo ◽  
Ana Letícia de Fiori

Este artigo propõe conexões parciais entre os modos dos Sateré-Mawé, povo do tronco Tupi habitante do Baixo Amazonas, de manejo dos dispositivos de interculturalidade na produção de utopias políticas e educacionais guiadas pelo complexo do Guaraná no contexto da formação no Ensino Superior, e os modos dos Tuxá, do Submédio São Francisco (BA), de, por meio do “complexo ritual da ciência”, articular a autodemarcação de suas terras, projetos de revitalização linguística e o estabelecimento de redes cosmopolíticas heterogêneas. Evidenciamos como projetos políticos e educacionais dos coletivos indígenas, conquanto se enredem pelas constrições das estabilizações jurídico-estatais da sociedade nacional que enquadram enunciados por direitos, acionam também agências múltiplas de diferentes regimes ontológicos, que desestabilizam categorias e promovem encontros os mais diversos. Assim, se os projetos linguísticos e político-pedagógicos dos Tuxá instauram uma dimensão de estudo ao conhecimento da ciência, na qual relações marcadas pela cautela com os encantados, seres mais-que-humanos, são determinantes para o acesso à língua e ao complexo ritual por meio do qual se compreende a força do território; a busca sateré-mawé pelo acesso à universidade potencializa e energiza redes e práticas políticas que se desenrolam há séculos, atualizando os atributos da chefia e ao mesmo tempo modos de relação com os brancos, mediados pelo professor waranã-sese (o guaraná verdadeiro em oposição ao waranã-rana) e prefigurados nas dicotomias inscritas no Puratig (o remo mágico que se encontra em analogias com a Bíblia, as cartilhas escolares e a Constituição Federal). Em ambos os contextos etnográficos, elementos festivos e rituais – a Dança da Tucandeira para os Sateré-Mawé, a ciência para os Tuxá – delineiam enquadramentos interétnicos ao serem performados em diferentes contextos com intensidades distintas, mas também delimitam saberes restritos, esotéricos, para os quais outras concepções de tradução e compreensão se fazem necessárias.


2021 ◽  
Vol 4 ◽  
pp. e021013
Author(s):  
Sidnei Clemente Peres
Keyword(s):  

O debate público em torno da demarcação das terras indígenas alçou um nível de qualidade acadêmica que permitiu ao antropólogo contribuir com a sua competência profissional, exercendo sua responsabilidade social. A antropologia pode contribuir com a formação e melhoria da esfera pública, afirmando a sua competência e qualidade acadêmica, como no caso dos laudos, cuja força política e fundamentação científica estão entrelaçados. Pretendo abordar as relações entre teoria e método antropológicos e a elaboração de laudos, a partir da minha experiência como antropólogo-coordenador de equipes de identificação de terras indígenas no Nordeste (no estado da Paraíba) e na Amazônia (no Médio Rio Negro). 


2021 ◽  
Vol 4 ◽  
pp. e021011
Author(s):  
Oiara Bonilla

Após a saída de reclusão da moça púbere, ao longo das brincadeiras rituais, o moça é apresentada e exposta pelas demais mulheresa a vários "predadores" encenados pelos homens.  Em um jogo de espelhamentos e inversões, ela é posicionada como uma isca para atrair os predadores e constituir-se como uma armadilha, uma emboscada, na qual o predador seduzido pela possibilidade de sujeitar ou devorar sua presa, só pode cair e ser morto, . O Jara, o branco, é geralmente o último predador a chegar. Figura mais elaborada dessa etapa do ritual, é a única que se torna objeto de chacota das mulheres e das crianças, antes de ser surrada e destruída a pauladas por estas. Este ensaio etnográfico procura analisar o humor e o grotesco no contexto ritual paumari vinculando-o a dinâmica de inversões posicionais que estes operam entre o ponto de vista da presa e do predador, como vetor da aniquilação simbólica do poder e à luz de outra figura ritual, a do parasita. Figura que configura ideal parasitário, onde os patrões acabariam acoados em suas posições dominantes, à mercê da captura e do consumo por seus parasitas.  Mas não em um movimento de simples inversão ou anulação de posições, e sim atravessando a relação assimétrica, criando assim uma abertura possível para traçar alguma linha de fuga. Abrindo a possibilidade para que os patrões sejam forçados a assumir a posição de eternos provedores, não só de bens manufaturados, mas de tudo aquilo que se considera indispensável para estar no mundo: parentes, nomes, alimentos, trocas e inimigos.


2021 ◽  
Vol 4 ◽  
pp. e021008
Author(s):  
Esmael Alves de Oliveira
Keyword(s):  

Resenha do livro, Matarezio Filho, Edson Tosta. 2019. A festa da moça nova: Ritual de iniciação feminina dos índios Ticuna. São Paulo: Humanitas/ FAPESP. 464 p.


2021 ◽  
Vol 4 ◽  
pp. e021010
Author(s):  
Lígia Rodrigues de Almeida
Keyword(s):  

Resenha do livro: Alarcon, Daniela Fernandes. 2019. O retorno da terra. As retomadas na aldeia Tupinambá da Serra do Padeiro, sul da Bahia. São Paulo: Elefante, 484p. 


2021 ◽  
Vol 4 ◽  
pp. e021009
Author(s):  
Nicole Soares Pinto

Resenha do livro: Baniwa, André Fernando. Bem viver e viver bem: segundo o povo Baniwa no noroeste amazônico brasileiro. Curitiba: Ed. UFPR, 2019. 64 p.


2021 ◽  
Vol 4 ◽  
pp. e021006
Author(s):  
Erick Nascimento Vidal
Keyword(s):  

Este artigo busca apresentar, em forma revisada, alguns resultados de um trabalho recente em torno da relação entre as noções de escrita e de tradução intersemiótica (ou transmutação) em um certo debate etnológico contemporâneo (Vidal, 2020). Inicialmente, busca caracterizar parte desse debate, enfatizando a constante proposição de novas definições de “escrita”. Em seguida, tomando como exemplo as definições de dois trabalhos importantes (Severi, 2007; Déléage, 2017), mostra como, apesar de suas afinidades, eles utilizam estratégias opostas, adotadas também por outros pesquisadores: uma delas busca restringir a aplicação do termo, enquanto a outra busca estendê-la. A discussão das insuficiências de cada uma conduz à proposição de uma estratégia nova, inspirada no trabalho de Jacques Derrida, e cujo ponto central consiste em abandonar a busca de uma definição única para o termo “escrita” e em reformular o eixo comparativo em termos de “intersemioticidade”.


2021 ◽  
Vol 4 ◽  
pp. e021002
Author(s):  
Patricia Carvalho ◽  
Tabatha Benitz ◽  
Ercília da Silva Vieira ◽  
Fabio Pereira dos Santos

A crise sanitária mundialmente instaurada com a pandemia de Covid-19 tornou o Brasil um dos epicentros das infecções e cenário de trágica experiência de gestão pública em saúde, e, mais especificamente na Amazônia, expôs o fantasma histórico da lógica da desumanização do Estado aos povos indígenas. Neste texto, tomamos como ponto de partida um conjunto de relatos emitidos por lideranças e representantes dos movimentos indígenas no Médio rio Solimões e Afluentes que nos dizem respeito às técnicas de governo relacionadas às narrativas e práticas de omissão que reforçam o antigo regime de produção de desigualdades e das condições de vulnerabilidade sanitária, ambiental, social e econômica desses sujeitos. Nosso objetivo é mostrar por meio da análise desses relatos de que modo os sujeitos resistem e reagem ao negacionismo estatal criando estratégias autônomas de cuidados e de contenção da transmissão.


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