Nesta dissertação, analisamos o uso do sujeito pronominal de referência definida na fala da comunidade linguística quilombola Rio das Rãs, situada no município de Bom Jesus da Lapa – Bahia, sob a perspectiva da Sociolinguística Paramétrica (TARALLO; KATO, 1989-2007), que associa pressupostos teóricos de Princípios e Parâmetros (CHOMSKY, 1981) e da Teoria da Variação e Mudança (WEINREICH; LABOV; HERZOG, 1968-2006; LABOV, 1972-2008). O estudo desse corpus se justifica pelo fato de poder contribuir para a caracterização do português brasileiro no que se refere à discussão acerca do Parâmetro do Sujeito Nulo. Nesse corpus, que é composto por dados de 24 (vinte e quatro) entrevistas, com duração de aproximadamente 50 a 60 minutos cada, estudamos a variável dependente ‘sujeito pronominal nulo’ versus ‘sujeito pronominal preenchido’, levando em consideração os fatores linguísticos: pessoa do discurso, morfologia verbal, forma verbal, tempo verbal, estrutura de CP, adjuntos antes do sujeito, categorias funcionais entre o IP e o núcleo de IP, padrão sentencial, sujeitos deslocados à esquerda, traço semântico do referente; e sociais: sexo, faixa etária, escolaridade, rede de relações sociais, exposição à mídia. Dessas variáveis linguísticas consideradas, o Pacote de Programa Estatístico selecionou como significante os grupos (i) pessoa do discurso; (ii) padrão sentencial; (iii) traço semântico do referente de 3ª pessoa; (iv) forma verbal; (v) morfologia verbal; (vi) tempo verbal; (vii) estrutura do CP; entre as variáveis sociais não sobressaiu nenhum grupo de fatores. Os dados coletados foram submetidos ao Programa Goldvarb X. Ao término das rodadas, foram detectadas 1534 (um mil, quinhentos e trinta e quatro) ocorrências, das quais, obtivemos um percentual de 80,9% de sujeito pronominal expresso em oposição a 19,1% de sujeito pronominal nulo. Os resultados quantitativos evidenciam o alto preenchimento do sujeito pronominal na fala dos moradores de Rio das Rãs, o que representa um indício de que essa comunidade parece estar caminhando na mesma direção que vem percorrendo o português brasileiro rumo ao preenchimento do sujeito, como tem sido demonstrado em trabalhos acerca da variedade urbana, como os de Duarte (1995; 2019), Cavalcante (2001), Duarte e Rezende dos Reis (2018), entre outros. A hipótese inicial proposta por esta pesquisa de que os moradores mais jovens da comunidade Rio das Rãs utilizariam mais a estratégia de preenchimento do sujeito, podendo revelar uma mudança em curso, não foi comprovada, visto que não houve um emprego mais significativo dessa variável pelos falantes mais jovens com relação aos das demais faixas etárias, o que nos revela um resultado muito interessante, pois demonstra que essa variável está disseminada no sistema linguístico do português brasileiro como um todo, seja na variável urbana seja na variedade quilombola, como a aqui estudada.