Repositório Digital de Teses e Dissertações do PPGLin-UESB
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Published By Centro De Pesquisa Em Linguistica

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Author(s):  
Maristela Amaral Ribeiro

O objetivo desta pesquisa foi analisar a linguagem de dois sujeitos com Síndrome de Down (SD), em situações dialógicas, com foco no estilo telegráfico. O trabalho tem como base os pressupostos da Neurolinguística Discursiva (ND) – (COUDRY 1986) e da Teoria Histórico[1]Cultural (THC) – Vygostky (1997). A THC considera o desenvolvimento como um processo constituído nas relações sociais e entende que, mesmo as crianças com SD, podem aprender. Trata-se de uma pesquisa longitudinal, apresentada em forma de estudo de caso e tem como objetivo identificar, analisar e fazer intervenções no funcionamento da linguagem dos sujeitos JR de 20 anos e RL de 15 anos, ambos apresentam em sua escrita e na oralidade o “estilo telegráfico” (JAKOBSON, 1970). O trabalho foi desenvolvido no Laboratório de Pesquisa e Estudos em Neurolinguística (LAPEN), situado na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) em Vitória da Conquista – Bahia. Os dados de fala e da escrita desses jovens foram coletados em seções semanais. Os atendimentos aconteciam em dupla e individualmente, com duração de uma hora; os dados das produções orais e escritas foram gravados em celular digital Samsung J7 prime e obtidos em situações discursivas. Iniciamos as produções com fábulas ilustradas, leitura, reconto da fábula. Ao longo dos atendimentos, observou-se que JR e RL não utilizavam conectivos nas produções escritas, mas utilizavam na oralidade quando formulavam enunciados mais curtos em situações dialógicas, ou seja, nestas utilizavam todos os elementos de uma frase, mas, naquelas apresentavam excesso de seleção, utilizavam mais substantivos e verbos em detrimento de elementos de combinação (uso de pronomes, preposições). Dessa forma, intensificamos a intervenção para que os sujeitos pudessem perceber que existem elementos que precisam estar na composição da frase. Para análise do fenômeno “estilo telegráfico”, nos valermos de noções advindas da morfologia, a iniciar pela própria definição de estilo telegráfico de Jakobson (1970) e a concepção de classes fechadas e classes abertas, bem como aspectos do nível morfológico. Ainda, focalizamos as diferenças formais e funcionais entre textos orais e escritos com base em Kato (2003). A discussão apresentada neste trabalho pode contribuir significativamente para o processo de aquisição da linguagem de crianças com síndrome de Down e casos semelhantes ao de JR e RL.


Author(s):  
Jéssica Caroline Souza Aguiar

O presente estudo tem como objetivo investigar o desenvolvimento fonotático de duas crianças gêmeas dizigóticas, tendo como foco a discussão se o desenvolvimento linguístico de gêmeos dizigóticos é semelhante ou diferente e o papel da sonoridade nas combinatórias segmentais iniciais. Para tanto, seguimos os pressupostos teóricos da teoria dos Sistemas Adaptativos Complexos (THELEN; SMITH, 1994), que prevê variabilidade, não linearidade e imprevisibilidade no desenvolvimento de um sistema complexo, e do Modelo de Sonoridade Silábica (BASBØLL, 2005), utilizado na descrição e análise fonotática. Analisamos os dados de duas crianças gêmeas dizigóticas, denominadas de Mg e Bg, do sexo feminino, durante a faixa etária de um a dois anos, desenvolvendo o português brasileiro (PB) de Vitória da Conquista – Ba. O corpus desta pesquisa é constituído por dados observacionais e naturalísticos, coletados em sessões mensais de 30 minutos, e pertence ao banco de dados do Grupo de Estudos de Psicolinguística e Desenvolvimento Fonológico (GEPDEF). Os resultados desta pesquisa mostraram que, embora as diferenças entre o percurso fonotático de Mg e Bg não tenham sido estatisticamente significativas, nem no balbucio nem nas palavras, cada uma delas apresentou um trajeto próprio ao longo do desenvolvimento. Quanto ao papel da sonoridade na fonotática inicial, verificamos que há uma preferência por combinatórias formadas por segmentos obstruintes, em especial, os desvozeados, na posição de ataque. O mesmo padrão foi encontrado nas produções que tinham a coda preenchida. De modo geral, constatamos que, apesar de não fugirem do que é esperado pelo padrão fonotático do PB, o desenvolvimento linguístico de crianças gêmeas dizigóticas também é variável e não linear.


Author(s):  
Sanaia Lúcia de Souza

O objetivo da pesquisa foi analisar a emergência do balbucio canônico em bebês com Síndrome de Down (SD) tendo como foco do trabalho a intervenção por meio de práticas dialógicas e interacionais, visando, a partir dessas práticas, a que o surgimento do balbucio canônico ocorra na mesma época que a de seus coetâneos neurotípicos. Para tanto, foram organizadas situações em que a linguagem foi trabalhada por meio de pistas visuais, auditivas e cinestésicas no surgimento do balbucio canônico e da primeira palavra de bebês com Síndrome de Down. A pesquisa foi realizada no Laboratório de Estudos e Pesquisas em Neurolinguística (LAPEN), na cidade de Vitória da Conquista, na Bahia. A fundamentação teórica desta pesquisa foi a Neurolinguística Discursiva e a Teoria Histórico-cultural. É um estudo longitudinal, descritivo, quali-quantitativo; selecionamos quatro díades mãe-bebê com Síndrome de Down (SD), na faixa etária de dois a quatro meses de idade; estas foram acompanhadas pelas pesquisadoras uma vez por semana, por 45 minutos, no período de dez meses, para coleta de suas produções orais, no (LAPEN); durante o acompanhamento dos bebês com SD, aplicaram-se anamnese, entrevista e semiestrutura, questionário, e seguiu-se à aplicação das atividades de linguagem pelas pesquisadoras. A coleta e a análise de dados foram realizadas por meio da oitiva e da análise acústica das produções realizadas pelos sujeitos com SD, que foram sistematicamente gravadas durante os acompanhamentos. Constatou-se que 100% dos bebês com SD acompanhados pelo LAPEN pelas pesquisadoras apresentaram o Balbucio canônico (BC) entre 9 e 10 meses de idade. Ao analisarmos acusticamente o Balbucio canônico produzido pelos bebês com SD, constatamos que o segmento consonantal e o segmento vocálico destes têm caraterísticas prototípicas delineadas pelos valores encontrados do VOT (Tempo de início do vozeamento por segundos), do BURTS (silêncio) e de suas frequências formânticas, respectivamente, o que comprova quantitativamente a produção efetiva do balbucio canônico. O acompanhamento e a estimulação precoce da linguagem dos bebês com SD são fundamentais para que eles apresentem o balbucio canônico entre o sétimo e o décimo meses de vida; assim, poderemos dinamizar as potencialidades de cada bebê e, com isso, promover a internalização dos signos e seu significado no mundo; para tanto, devemos utilizar a linguagem como instrumento mediador e a interação com o outro (interlocutor), considerando o meio sociocultural em que está inserido.


Author(s):  
Kércia Rosário Fiuza Oliveira

Nesta dissertação, analisamos o uso do sujeito pronominal de referência definida na fala da comunidade linguística quilombola Rio das Rãs, situada no município de Bom Jesus da Lapa – Bahia, sob a perspectiva da Sociolinguística Paramétrica (TARALLO; KATO, 1989-2007), que associa pressupostos teóricos de Princípios e Parâmetros (CHOMSKY, 1981) e da Teoria da Variação e Mudança (WEINREICH; LABOV; HERZOG, 1968-2006; LABOV, 1972-2008). O estudo desse corpus se justifica pelo fato de poder contribuir para a caracterização do português brasileiro no que se refere à discussão acerca do Parâmetro do Sujeito Nulo. Nesse corpus, que é composto por dados de 24 (vinte e quatro) entrevistas, com duração de aproximadamente 50 a 60 minutos cada, estudamos a variável dependente ‘sujeito pronominal nulo’ versus ‘sujeito pronominal preenchido’, levando em consideração os fatores linguísticos: pessoa do discurso, morfologia verbal, forma verbal, tempo verbal, estrutura de CP, adjuntos antes do sujeito, categorias funcionais entre o IP e o núcleo de IP, padrão sentencial, sujeitos deslocados à esquerda, traço semântico do referente; e sociais: sexo, faixa etária, escolaridade, rede de relações sociais, exposição à mídia. Dessas variáveis linguísticas consideradas, o Pacote de Programa Estatístico selecionou como significante os grupos (i) pessoa do discurso; (ii) padrão sentencial; (iii) traço semântico do referente de 3ª pessoa; (iv) forma verbal; (v) morfologia verbal; (vi) tempo verbal; (vii) estrutura do CP; entre as variáveis sociais não sobressaiu nenhum grupo de fatores. Os dados coletados foram submetidos ao Programa Goldvarb X. Ao término das rodadas, foram detectadas 1534 (um mil, quinhentos e trinta e quatro) ocorrências, das quais, obtivemos um percentual de 80,9% de sujeito pronominal expresso em oposição a 19,1% de sujeito pronominal nulo. Os resultados quantitativos evidenciam o alto preenchimento do sujeito pronominal na fala dos moradores de Rio das Rãs, o que representa um indício de que essa comunidade parece estar caminhando na mesma direção que vem percorrendo o português brasileiro rumo ao preenchimento do sujeito, como tem sido demonstrado em trabalhos acerca da variedade urbana, como os de Duarte (1995; 2019), Cavalcante (2001), Duarte e Rezende dos Reis (2018), entre outros. A hipótese inicial proposta por esta pesquisa de que os moradores mais jovens da comunidade Rio das Rãs utilizariam mais a estratégia de preenchimento do sujeito, podendo revelar uma mudança em curso, não foi comprovada, visto que não houve um emprego mais significativo dessa variável pelos falantes mais jovens com relação aos das demais faixas etárias, o que nos revela um resultado muito interessante, pois demonstra que essa variável está  disseminada no sistema linguístico do português brasileiro como um todo, seja na variável urbana seja na variedade quilombola, como a aqui estudada. 


Author(s):  
Caio Aguiar Vieira

Nesta Dissertação, investigamos, sob o viés da Linguística Funcional Centrada no Uso (LFCU), as mudanças construcionais e a construcionalização do que nem utilizada na Língua Portuguesa, principalmente, como conector comparativo. Para tanto, a partir de método misto (CUNHA LACERDA, 2016), objetivamos, i) pelo prisma diacrônico, traçar, de forma breve, as mudanças construcionais que nem à luz dos tipos de contexto propostos por Diewald (2006), tomando o Corpus Informatizado do Português Medieval (CIPM) e o Corpus do Português (DAVIES; FERREIRA, 2006); e ii) pelo prisma sincrônico, analisar, pela perspectiva construcional da mudança (BYBEE, 2010; TRAUGOTT; TROUSDALE, 2013; ROSÁRIO; OLIVEIRA, 2016; FURTADO DA CUNHA; BISPO; SILVA, 2018), a construcionalização do que nem e a sanção de novos nós na rede linguística com base nos corpora do Português Popular e Culto de Vitória da Conquista – BA – Corpora PCVC e PPVC. Sob a ótica diacrônica, evidenciamos que o que nem, originado de uma estrutura típica de causa e consequência (faz viver tal vida que nem d’el nem), passa pelo contexto atípico (Ca salvar-se pod’ela bem que nem um torto nom vos fez), chega ao contexto crítico (açafrão he melhor que nem um outro), perde a composicionalidade e gera, por fim, o contexto isolado (vou ficando magro e seco que nem feia perereca). Pelo olhar sincrônico, foi possível verificarmos que houve a construcionalização do que nem, vez que um novo nó foi formado na Língua Portuguesa com configuração formal-funcional comparativa. Houve, assim, uma redução da composicionalidade do objeto em questão e o aumento da esquematicidade e da produtividade, evidenciado a expansão da classe hospedeira (HIMMELMANN, 2004), pois novos subesquemas foram acionados na rede dos conectivos, desempenhando a configuração formal-funcional de comparação (preta que nem um carvão), exemplificação (que nem Jequié mesmo) e conformidade (que nem eu falei), aliado a um continuum crescente de (inter)subjetividade. Ademais, constatamos que o referido objeto está em processo de deslocamento de domínio funcional que passa a integrar, também, a rede construcional dos Marcadores Discursivos, na rota [QUE NEM]conect --> [QUE NEM]md, sendo utilizado com a função de manutenção do turno conversacional.


Author(s):  
Lívia Cristina de Souza Sigliani

Em contato com diversos textos notamos que, embora a importância social do professor seja reconhecida, sentidos de desprestígio também são percebidos, contudo, não se trata de uma separação maniqueísta, dado que os sentidos apontam, ao mesmo tempo, que o professor é importante ao passo que é desvalorizado. Dessa forma, chegamos a nossa questão a ser respondida, que é: Quais sentidos constituem a profissão de professor? A partir de nossa pergunta, o objetivo desta pesquisa é investigar os sentidos de professor e entender como se configura o político nas relações de linguagem no espaço de enunciação Brasil, por meio da análise de um corpus composto por textos sobre o professor nos âmbitos das leis, do marketing e da mídia jornalística impressa, considerando a relevância desses textos na produção e circulação desses sentidos na sociedade. Para tanto, nos filiamos à Semântica do Acontecimento, teoria semântica enunciativa proposta pelo professor da Unicamp Eduardo Guimarães (2002a, 2002b, 2007, 2009, 2011, 2018), que parte do pressuposto da enunciação como um acontecimento de linguagem que produz sentido a partir de uma relação do sujeito com a língua, sendo essa relação uma prática política, pois instaura o conflito no centro do dizer. Os sentidos não são fixos nem estanques, pois são constituídos na enunciação, isto é, em cada acontecimento de linguagem, e, não são transparentes, pois o sujeito não controla os sentidos. Levantamos duas hipóteses, a primeira é de que a preocupação com a remuneração é secundária, já que ser professor é, de alguma maneira, ter um dom e, obrigatoriamente, educar por amor. E a segunda é de que os sentidos de professor são divergentes e tais divergências instauram modos de como a sociedade trata o professor. Para analisarmos nossos dados, serão considerados os pressupostos teóricos citados e serão executados os procedimentos enunciativos da Semântica do Acontecimento, a reescritura, que consiste nas maneiras em que um determinado termo é redito no texto, a articulação que implica nas relações de contiguidade de um termo com os demais termos do mesmo enunciado, o mecanismo de paráfrase que se caracteriza pela substituição pertinente de um termo por outro para testar os limites interpretativos, e por meio do Domínio Semântico de Determinação (DSD) representaremos as relações de sentido analisadas pelos procedimentos enunciativos da teoria. A corroborar com nossa hipótese, os resultados das análises apontam que os sentidos de docência como dom e amor apagam os sentidos do professor como profissional e assim não somente a remuneração, mas também a formação passa a ter papel secundário. Os resultados também apontam que os sentidos de professor estão em constante enfrentamento ao dividir e redividir o espaço de enunciação em um embate de sentidos que ultrapassa o linguístico para as práticas sociais.


Author(s):  
Mércia Rodrigues Gonçalves Pinheiro

Os aspectos prosódicos são importantes para o desempenho da leitura. Dessa maneira, pistas prosódicas para serem implementadas na leitura são obtidas por meio do Marcador Prosódico (MP) e dentre esses marcadores existem algumas palavras que também exercem essa função, por isso são chamadas de marcador prosódico lexical (MPL). Esses MPLs podem aparecer anteposto ou posposto a frase que esta sob o seu escopo. Ainda, é possível afirmar que os leitores que conseguem organizar e recuperar a marcação prosódica corretamente têm uma leitura mais fluída e podem ser considerados leitores fluentes. E o que dizer dos alunos dos anos finais do Ensino Fundamental? Os alunos dos anos finais do Ensino Fundamental I de escola pública realizam as variações prosódicas quando os MPLs podem aparecer anteposto ou posposto a frase que está sob o seu escopo quando incitadas pelos MPLs em leitura oral? Nossa hipótese foi a de que independentemente da posição do MPL os alunos não conseguem recuperar as variações prosódicas, pois acreditamos que, o nível de leitura dos (as) participantes desta pesquisa ainda não é fluente o bastante para fazer com que os informantes resgatem as variações prosódicas incitadas pelo MPLs que foram utilizados na nossa pesquisa. Assim, nosso objetivo, neste trabalho foi analisar e avaliar, por meio de questionário, o hábito de leitura dos pais e dos alunos dos anos finais de escola pública de Vitória da Conquista, bem como verificar e avaliar o comportamento prosódico dos alunos em fase de aquisição de leitura de escola pública nas séries finais do Ensino Fundamental I de Vitória da Conquista – Bahia quando os MPLs vêm antes e/ou depois da frase alvo. Para tanto, avaliamos a leitura em três grupos de alunos das séries finais do ensino fundamental I, a saber: 3°, 4° e 5° anos. Para verificar o comportamento prosódico com as variações dos marcadores prosódicos, foi escolhido um texto (João e Maria) e adaptado com MPLs de volume (disse alto e disse baixo), de altura (berrou e sussurrou) e um neutro (disse). A produção oral dos alunos foi gravada. Os dados foram submetidos a análises acústicas e estatísticas. Os Resultados comprovam que, os sujeitos avaliados ainda não conseguem implementar as variações prosódicas dos MPLs. Nossas análises fortalecem e confirma nossa hipótese que é a de que: independentemente da posição dos MPLs os alunos não conseguem recuperar as variações prosódicas incitadas pelos MPLs. Essa confirmação, ainda, nos permite afirmar que, os participantes da pesquisa ainda não têm uma leitura fluente e sofisticada o bastante para fazer o resgate das variações prosódicas.


Author(s):  
Quelle Taísa da Chaga Oliveira

Neste trabalho, apresentamos resultados de pesquisa que objetivou identificar e analisar, em capas de Veja que circularam entre os anos de 1979 e 2018, posições-sujeito que o Partido dos Trabalhadores foi convocado a ocupar. O corpus foi constituído de capas de edições de Veja que tratam do Partido dos Trabalhadores e/ou sujeitos políticos ligados ao partido, que circularam entre janeiro de 1979, primeiro ano em que o Lula/PT é matéria de capa, e dezembro de 2018, ano da primeira eleição presidencial após o Impeachment de Dilma Rousseff, da qual o PT saiu derrotado, interrompendo um ciclo de quatro vitórias sucessivas em eleições presidenciais. Na análise, mobilizamos pressupostos teóricos da Análise de Discurso (AD). Os resultados indicaram que a trajetória do Partido dos Trabalhadores discursivizada pelas capas de Veja passou por momentos de construção e desconstrução, em que ora o partido foi convocado a ocupar a posição-sujeito herói, ora a posição-sujeito vilão. As análises apontaram ainda que os efeitos-sentido que constituem a posição-sujeito vilão são de agressividades, autoritarismo, radicalismo, subversão, desrespeito às leis, ameaça, perigo, inaptidão para lidar com questões econômicas, incompetência para gerir a coisa pública, inadequação ao cargo da presidência e corrupção. No que se refere à posição-sujeito herói, esta se constitui por efeitos-sentido de vitória, aclamação popular, adequação ao cargo da presidência, protagonismo, firmeza, confiança e autenticidade.


Author(s):  
Lara Maria dos Santos Pires

Investigamos, neste trabalho, a relação que se estabelece entre os discursos contrários e favoráveis à regulamentação da prostituição como profissão. Com base nos postulados da Análise do Discurso (AD), mais precisamente nos trabalhos de Michel Pêcheux (2015a [1983]; 2015b [1983]) e Dominique Maingueneau (2005 [1984], 2010), formulamos três hipóteses: i) o PL Gabriela (2012) funciona como acontecimento discursivo; para averiguar essa hipótese, recorremos aos conceitos de Michel Pêcheux (2015a [1983]; 2015b [1983]) acerca do discurso, acontecimento discursivo e memória discursiva; ii) os discursos contrários e favoráveis à regulamentação da prostituição como profissão se relacionam de maneira polêmica, pois há, nesse caso, a emergência de uma incompatibilidade constitutiva; para analisar essa segunda hipótese, baseamo-nos na tese de Dominique Maingueneau (2005 [1984], 2010) no que diz respeito à polêmica discursiva; e iii) a polêmica constitutiva materializa-se na superfície textual também por meio de marcas argumentativas; para verificar a viabilidade dessa última hipótese, utilizamos como arcabouço teórico a noção de polêmica argumentativa, conforme Amossy (2017 [2014]). O corpus utilizado nas análises deste trabalho é constituído por 41 (quarenta e um) textos que se posicionam contrários e favoráveis à regulamentação da prostituição como profissão. Os resultados indicam, em um primeiro momento, que, de fato, o PL Gabriela Leite (2012) funciona como acontecimento discursivo, conforme Michel Pêcheux (2015a [1983]; 2015b [1983]). Em um segundo momento, que a relação dos posicionamentos contrários e favoráveis à regulamentação da prostituição é constitutivamente polêmica, caracterizando-se pela expressão de uma incompatibilidade dentro de um espaço discursivo, que é, segundo Maingueneau (2005 [1984]), um dos elementos do interdiscurso. Em relação à terceira hipótese, os resultados indicam que a polêmica estabelecida entre os dois posicionamentos estudados funciona como fonte de argumentos tanto para o posicionamento Proponente quanto para o Oponente, já que cada um deles constitui sua legitimidade com base na desqualificação do outro.


Author(s):  
Jádilla Leite Moreira

A presente dissertação discute a realização do pronome SE à luz da Sociolinguística variacionista de cunho laboviano (LABOV, 1972), estendendo-se para uma abordagem sócio-histórica. Tomam-se como “corpus” as falas de quilombolas (homens e mulheres; jovens, adultos e idosos, escolarizados precariamente ou não escolarizados) moradores do Quilombo do Rio das Rãs, situado na zona rural de Bom Jesus da Lapa – BA. Inicialmente, recupera-se o conceito de português popular (LUCCHESI, 2015) e especialmente de português afro[1]brasileiro (SILVA, 2003), procurando discutir a formação sócio-histórica do Português do Brasil (MATTOS E SILVA, 2004) à medida que apresenta um quadro de variação (LABOV, 1972) e possível tendência de mudança em curso em direção ao uso do pronome SE, em situações controladas (entrevistas gravadas) e por meio de condicionantes estruturais (tipo de clítico, valor semântico, função sintática, pessoa do sujeito) e sociais (sexo, faixa etária, estada na comunidade, escolarização). A hipótese norteadora desta pesquisa é a de que os falantes do português afro-brasileiro tendem ao apagamento do clítico dito reflexivo. Para tanto, por meio de uma análise da história da comunidade (ASSIS, 2019) desenha-se um quadro que aponta para um estágio de contato linguístico (LUCCHESI, 2000), o qual veio a redundar numa forma especial de variação, em que dados do contato estão paulatinamente se perdendo nas comunidades graças às alterações sócias. Os dados evidenciaram a preferência pelo apagamento do pronome SE junto ao verbo na comunidade de Rio das Rãs. Quanto ao condicionamento linguístico, o uso do SE mostrou-se sensível ao tipo de clítico e à pessoa do sujeito. Em relação ao condicionamento social, contatamos que as mulheres tendem a assumir comportamento linguístico, no tocante à realização do pronome.


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