Cadernos de Psicologia Social do Trabalho
Latest Publications


TOTAL DOCUMENTS

359
(FIVE YEARS 0)

H-INDEX

9
(FIVE YEARS 0)

Published By Universidade De Sao Paulo Sistema Integrado De Bibliotecas - Sibiusp

1981-0490, 1516-3717

2020 ◽  
Vol 23 (2) ◽  
pp. 129-142
Author(s):  
Eneida Santiago ◽  
Patrícia Aparecida Bortolloti ◽  
Amanda Garbim Bana

Neste artigo, discutimos a dinâmica dos laços de cooperação entre dois grupos em convívio obrigatório no contexto carcerário: agentes prisionais e apenados. A partir da perspectiva metodológica e analítica da psicodinâmica do trabalho, resgatamos conteúdos de um espaço grupal formado há cerca de 4 anos por agentes que se debatiam entre os descompassos entre o trabalho prescrito e o trabalho real no cotidiano da vigilância prisional. Como resultado, identificamos que os laços cooperativos internos aos grupos e entre os grupos assumem papel estratégico na gestão da complexidade do trabalho, em um cenário permeado por riscos e descompassos entre o planejado e o realizável nas atividades de um cotidiano marcado por precariedades, superlotação e servidores insuficientes. Enquanto fenômeno articulado, a cooperação forçada entre agentes e apenados impõe o desafio de colaborar com alguém em quem não se confia, o que produz desestabilizações e comprometimentos significativos à saúde mental dos servidores, além de elevar vulnerabilidades individuais e coletivas.


2020 ◽  
Vol 23 (2) ◽  
pp. 115-128
Author(s):  
Flávia Manuella Uchôa de Oliveira

Este artigo busca estabelecer uma proposta para o estudo do empreendedorismo a partir da perspectiva da psicologia social do trabalho. Tal proposta surge da necessidade de repensar o anúncio constante de que “somos todos empreendedores”, assim como da necessidade de pensar as várias formas de trabalho para além do emprego e do trabalho regulamentado – nomeadamente, a polimorfia do trabalho –, e como estas foram governamentalizadas a partir do final do século XX. Para este exercício, utilizamos a noção desenvolvida em pesquisa anterior, sobre o empreendedorismo pensado como uma demanda. Argumentamos que tal demanda funciona como um dispositivo de governo neoliberal e que estabelece uma continuidade colonial, impondo uma determinada modernidade a ser alcançada. Concluímos indicando que a demanda empreendedora torna a “viração” uma forma de governar o trabalho e os trabalhadores.


2020 ◽  
Vol 23 (2) ◽  
pp. 175-188
Author(s):  
Heloisa Aparecida de Souza ◽  
Gustavo Renan de Almeida da Silva ◽  
Rômulo Lopes da Silva ◽  
Carlos Henrique Ferreira da Silva
Keyword(s):  

Na contemporaneidade, a não conformidade às normas de gênero produz discriminações nos diversos contextos sociais, incluindo o laboral. Compreendendo o trabalho como um elemento central na constituição do ser humano, no presente artigo, organizado como ensaio teórico, abordamos os desafios cotidianos enfrentados pelas pessoas transgêneras e seus impactos na inserção profissional, além de discutir o compromisso ético e político da Psicologia com essa população. Dessa forma, buscamos refletir sobre a importância de se abordar a temática “gênero” e “trabalho”, de forma crítica, na formação e atuação profissional. Defendemos que é essencial que a Psicologia, enquanto ciência e profissão, reflita criticamente sobre as possibilidades e situações de trabalho encontradas pelas pessoas trans e atue de forma a contribuir com o rompimento da visão que naturaliza e/ou atribui exclusivamente ao sujeito a responsabilidade pela exclusão social.


2020 ◽  
Vol 23 (2) ◽  
pp. 157-174
Author(s):  
Marcela Rucireta Germano Moretto ◽  
Valquíria Padilha

Baseado principalmente na Psicodinâmica do Trabalho, este artigo resume uma pesquisa que objetivou conhecer as causas de sofrimento no trabalho gerencial; identificar como gerentes percebem o sofrimento e o prazer em seu trabalho e quais as principais causas de prazer laboral. Foram feitas entrevistas semiestruturadas com gerentes de posições hierárquicas e setores distintos, no interior paulista. A interpretação das entrevistas deu-se pela Análise dos Núcleos de Sentido (ANS). Identificamos sete núcleos de sentido para entender as vivências de sofrimento e prazer no trabalho gerencial e identificar suas causas: a) Prescrição do trabalho; b) Culto às metas e desempenho; c) Relações interpessoais; d) Carga de responsabilidade; e) Autonomia; f) Reconhecimento e g) Equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Confirmamos que há sofrimento laboral dos/das gerentes.


2020 ◽  
Vol 23 (2) ◽  
pp. 203-217
Author(s):  
Hanna Izabel Ferreira Marçal ◽  
Vanderléia de Lurdes Dal Castel Schlindwein ◽  
Edcarlos Alfaia Galeno Barbosa ◽  
Mariana Oliveira da Silva

Este estudo analisou as vivências de prazer-sofrimento dos policiais militares de um batalhão da região Norte e como estas influem na execução de suas atividades. Os pressupostos teórico-metodológicos procederam da Psicodinâmica do Trabalho. Foram realizados seis encontros em grupo com a participação de 17 policiais, sendo 14 homens e três mulheres. As temáticas investigadas foram divididas em cinco eixos: condições precárias de trabalho; perfil do policial; reconhecimento dos pares, superiores e sociedade; prazer-sofrimento no trabalho; e defesas contra o sofrimento, interpretados a partir da análise temática. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade. Percebeu-se que a organização de trabalho desempenha papel importante nas vivências de prazer-sofrimento e que cooperação, reconhecimento, precarização, burocracia e os paradoxos da atividade policial interferem diretamente nesta dinâmica. O uso de estratégias defensivas, como a ironia e o humor, é responsável pela dicotomia entre ter que suportar o real no trabalho e não verbalizar o sofrimento, evidenciando alguns dos importantes paradigmas presentes na atividade militar estudada.


2020 ◽  
Vol 23 (2) ◽  
pp. 189-202
Author(s):  
Sergio Dias Guimarães Junior ◽  
João Batista de Oliveira Ferreira

A intenção deste ensaio é promover uma reflexão crítica acerca das articulações entre terceirização, saúde e algumas possíveis formas de resistência nos contextos laborais contemporâneos. Para tal, serão apresentados resultados de pesquisas realizadas com trabalhadoras e trabalhadores subcontratados de uma universidade pública brasileira. Foram feitos encontros coletivos, entrevistas semiestruturadas e elaboração de diários de campo pelos pesquisadores envolvidos. Os resultados apontam que os subcontratados vivenciam situações de exclusão, discriminação, sentimento de invisibilidade, falta de reconhecimento, sobrecarga e outras injustiças. Questões étnico-raciais e de gênero também foram observadas como aspectos produtores de sofrimento. Em contrapartida, foi possível observar algumas formas de resistência como produção de mecanismos de defesa contra o sofrimento e envolvimento de caráter político em movimentos coletivos de lutas. Defende-se o compromisso ético-político da psicologia social do trabalho brasileira – como produto de seu tempo – de assumir postura crítica diante desta temática e contribuir para a promoção de movimentos de resistência em prol da continuidade das lutas pela saúde, garantia de direitos e formas de trabalho pautadas na dignidade da vida.


2020 ◽  
Vol 23 (2) ◽  
pp. 143-156
Author(s):  
Vivian Heringer Pizzinga

A partir da série televisiva Chernobyl e dos relatos do livro de Svetlana Aleksiévitch, Vozes de Tchernóbyl, que tratam do acidente nuclear em Pripyat, em 1986, este artigo discute os aspectos relacionados às condições e às relações de trabalho que as cenas evocam. A tragédia de Chernobyl pode ser vista como um acidente de trabalho, tendo ocasionado entre4.000 e 93.000 mortes. Os aspectos que se pretende examinar dizem respeito às relações de poder, à relação entre o trabalho prescrito e o trabalho real e demais fatores. Na análise proposta, serão usadas as contribuições da psicodinâmica do trabalho, da saúde do trabalhador, da ergonomia francófona e de discussões teóricas acerca do mundo do trabalho. Ainda que as reflexões aqui levantadas sejam suscitadas a partir de adaptações constituídas de doses variáveis de ficção, elas podem ser úteis à discussão de aspectos que podem levar ao adoecimento no trabalho.


2020 ◽  
Vol 23 (2) ◽  
pp. 218-235
Author(s):  
Edmar Aparecido de Barra e Lopes

Este artigo promove um debate que orbita em torno de conceitos, tais como: risco e sofrimento; subjetividade e experiência; cotidiano e memória; vulnerabilidade e precarização. Buscamos compreender as vivências em ambiente de trabalho de enfermeiros e enfermeiras que atuam desde o início da pandemia de Covid-19 (Coronavirus Disease 2019) em dois hospitais públicos de Goiânia, referências no atendimento a indivíduos vitimados pela doença em questão. Destacamos que a realização das entrevistas teve como pano de fundo um contexto de aprofundamento da precarização e da flexibilização das condições e relações de trabalho desses profissionais, associadas ao vertiginoso aumento do número de casos e óbitos entre esses. Com base na história oral temática, constatamos que esses profissionais – embora essenciais no enfrentamento à pandemia – se encontram atualmente ainda mais vulnerabilizados, individual e coletivamente. Ainda que homens e mulheres nessa categoria de trabalhadores experimentem de forma muito diferente o sofrimento e o adoecimento em seus respectivos cotidianos laborais. Particularmente, em função das desigualdades de gênero no mercado de trabalho.


2020 ◽  
Vol 23 (1) ◽  
pp. 95-108
Author(s):  
Suzana Guerra Albornoz
Keyword(s):  

Este ensaio parte do conceito elaborado por Ernst Bloch (1885-1977) de que a esperança se enraíza nas possibilidades inseridas na realidade. Quando se insere a esperança de reconhecimento do direito dos trabalhadores a maior dignidade nas transformações técnicas e lutas sociais da era industrial, mostra-se a união de esperança e trabalho, presente nas contradições dos tempos modernos pelo mundo e no Brasil. Em nossa atual situação crítica, na enfermidade mundial; quando as sociedades evoluem para tecnológicas, diminui a demanda de operários na indústria e desaparece a garantia de emprego estável; a humanidade é desafiada a refletir sobre sua atividade que transcende o trabalho produtivo material e a inventar soluções da ordem da esperança, utopias concretas, não impossíveis de realizar.


2020 ◽  
Vol 23 (1) ◽  
pp. 29-50
Author(s):  
Dathiê de Mello Franco-Benatti ◽  
Vera Lucia Navarro ◽  
Luci Praun

Nas últimas décadas, o processo de trabalho no setor agrícola brasileiro passou por transformações. Essas alterações, desencadeadas em grande medida pela inserção de tecnologia e mecanização de etapas do processo produtivo, impuseram uma nova dinâmica ao trabalho nos canaviais, articulando antigas formas de organização e condições de trabalho com os imperativos da mecanização. Neste contexto, situações de suscetibilidade à ocorrência de acidentes e diferentes agravos à saúde, presentes no cotidiano do trabalho nos canaviais, renovaram-se. Exposição aos agrotóxicos, novas práticas de queima da cana, manuseio de máquinas e instrumentos de trabalho em um contexto de aumento da produtividade e intensificação do trabalho exemplificam esta situação. Este artigo tem por objetivo apresentar e problematizar situações de trabalho, assim como as circunstâncias de ocorrências de acidentes típicos e doenças com nexo laboral no segmento da agroindústria canavieira da região de Araraquara (SP). As reflexões desenvolvidas têm como ponto de apoio pesquisa de campo desenvolvida entre 2013 e 2014. A partir das entrevistas com 14 trabalhadores(as) pode-se compreender as distintas articulações entre as histórias de vida desses homens e mulheres e o cotidiano do trabalho nos canaviais. Os dados obtidos indicam que o ritmo e a jornada intensa de trabalho, em conjunto com a falta de equipamento de proteção, a exposição aos agrotóxicos e com outros riscos presentes no meio rural estão na base da ocorrência dos acidentes, marcas da ampliação da exploração e da precariedade do trabalho com o avanço de medidas de perfil neoliberal.


Sign in / Sign up

Export Citation Format

Share Document