Working Papers em Linguística
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Published By Universidade Federal De Santa Catarina

1984-8420, 1415-1464

2021 ◽  
Vol 22 (Especial) ◽  
pp. 66-85
Author(s):  
Maria Alice Tavares ◽  
Ana Clarissa Viana Duarte

À luz de uma interface variação-gramaticalização, os objetivos deste estudo são: (i) descrever e exemplificar duas das estratégias que podem ser adotadas para a delimitação de uma variável linguística – a perspectiva da variação estrita e a perspectiva de percurso de gramaticalização; (ii) aplicar a perspectiva de percurso de gramaticalização à delimitação de uma variável discursivo-pragmática, a extensão geral. Essa variável pode ser considerada um macrodomínio funcional que agrega formas cujas funções são provenientes de um processo de gramaticalização que se desenvolveu entre dois microdomínios. Os extensores gerais tomados como variantes são E TAL e E TUDO. Os dados foram extraídos do Banco de Dados FALA-Natal. Mostramos que variáveis discursivo-pragmáticas podem ser circunscritas em consonância com a perspectiva de percurso de gramaticalização, mais especificamente aquela que leva em conta a distinção entre macro e microdomínios funcionais. A aplicação dessa estratégia para dar conta da multifuncionalidade de formas discursivo-pragmáticas permite um tratamento uniforme à variação em todos os níveis da língua.


2021 ◽  
Vol 22 (Especial) ◽  
pp. 4-17
Author(s):  
Izete Lehmkuhl Coelho ◽  
Isabel Monguilhott ◽  
Carla Regina Martins Valle ◽  
Marco Antonio Rocha Martins
Keyword(s):  

Este número especial da revista Working Papers em Linguística faz uma singela homenagem à querida professora Edair Maria Görski por sua relevante contribuição aos estudos sobre a língua em uso, relacionados em geral com a Sociolinguística Variacionista e com o Funcionalismo de vertente norte-americana e por seu envolvimento marcante em atividades de pesquisa, ensino e extensão na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A formação de inúmeros pesquisadores renomados que, atualmente, estão espalhados nas mais diversas universidades brasileiras é um de seus legados.


2021 ◽  
Vol 22 (Especial) ◽  
pp. 86-110
Author(s):  
Sanderléia Roberta Longhin

Este artigo trata do processo de gramaticalização do qual resultou a perífrase concessiva apesar de (que) na história em português. Com base no caráter fundante de mecanismos cognitivos e pragmáticos, no impacto dos contextos de uso e em um protótipo de juntor concessivo, busco responder às questões: que traços do nome pesar, aliados a contextos particulares, ajudam a explicar a predisposição à mudança? como as relações concessivas expressas por apesar de (que) refletem fatos de seu percurso de constituição? que relações podem ser apreendidas entre a implementação gradual da mudança de significado e a composição estrutural como juntor complexo? A pesquisa é conduzida à luz de uma metodologia diacrônica pautada nos padrões polissêmicos de pesar, com suas respectivas propriedades distribucionais. Os resultados fornecem um mapa cronológico detalhado de possíveis estágios de mudança, nos quais sobressaem o peso da fonte pesar, enquanto shell noun, para as generalizações sintática e semântica e para a ação dos processos inferenciais que habilitaram as relações concessivas dos tipos causa negada e restritiva.


2021 ◽  
Vol 22 (Especial) ◽  
pp. 137-156
Author(s):  
Márluce Coan

Neste artigo, utilizando dados da lírica profana galego-portuguesa, analisamos os usos modais do morfema -ra no eixo passado, considerando-se seus significados de passado conjuntivo, passado condicional, passado volitivo e passado anterior ao momento de fala, bem como investigamos os efeitos do tipo de cantiga, do item lexical e da polaridade na configuração desses usos modais. Nossos dados provêm das cantigas profanas disponíveis no Tesouro Medieval Informatizado da Língua Galega e no projeto Edição, Atualização e Preservação do Património Literário Medieval Português. Os resultados apontam maior frequência modal de -ra em cantigas de amor, especialmente nas funções condicional, volitiva e conjuntiva, por vincularem-se a segredos amorosos, diferentemente das de escárnio e maldizer, que exibem um estilo mais direto. Em relação à análise lexical, nossos resultados indicam que, na função volitiva, ganham destaque os verbos modais; nas demais funções, predominam verbos de estado, cognitivos e sensitivos, em oposição aos verbos de ação e processo, mais utilizados quando o -ra codifica funções temporais. Ademais, há mais usos de -ra modal em contextos de polaridade positiva, implicando equilíbrio entre as tarefas de cognição e codificação: a expressão da irrealidade ou distanciamento da realidade via -ra é função menos frequente que a temporal, portanto, mais marcada, função codificada em contextos mais frequentes (os afirmativos), portanto, menos marcados. Decorre dessa análise a observação de que, nos usos modais do -ra, podemos aludir à irrealidade, independentemente de ser o enunciado afirmativo ou negativo.


2021 ◽  
Vol 22 (Especial) ◽  
pp. 327-354
Author(s):  
Kamilla Oliveira do Amaral

O presente estudo tem como objetivo analisar a realização variável de [-STE] na página do Instagram Tal Qual Dublagens – constituída principalmente por curtos vídeos de dublagens produzidos pelo comediante Gustavo Libório –, verificando a existência de significados socioidentitários indexicalizados pelo referido morfema. Para esta pesquisa, observamos a dinâmica interacional da Tal Qual Dublagens, que interpretamos como uma comunidade de práticas (ECKERT, 2006), e analisamos 302 ocorrências de [-STE], mapeadas durante a etnografia virtual (HINE, 2000) realizada na página. A partir da análise verificamos que [-STE] conta com cinco formas alternativas que estão relacionadas a alterações morfofonéticas. São elas: -ste, -stes, -stis, -rte e -rtes. Cada uma das cinco formas indexicaliza concomitantemente diferentes instâncias de significação: uma referente ao significado semântico-pragmático do morfema (expressão de segunda pessoa do singular) e a outra ao significado social, que carrega valores identitários e ideológicos dos sujeitos da referida comunidade. Este significado se distribui em diferentes camadas: uma relacionada a macrocategorias e outra a relações de grupo (seja de grupo regional, de grupo gay, ou de grupo social, como a CP Tal Qual Dublagens).


2021 ◽  
Vol 22 (Especial) ◽  
pp. 215-245
Author(s):  
Leandra Cristina De Oliveira ◽  
María Alejandra Godoy Roa ◽  
Alison Felipe Gesser

La noticia es un ambiente oportuno para el estudio de la expresión de anterioridad, especialmente cuando se trata de considerar el dominio de la relevancia presente (RP). En este estudio, la mirada se direcciona a formas variantes en la función de indicar situaciones que denotan el resultado persistente de una situación pasada, un subdominio cubierto por la RP. El interés se deriva de la apreciación de las diferentes formas con las que periódicos hispánicos registran hechos vinculados a la pandemia de la COVID-19, las cuales llaman la atención incluso de hablantes no especialistas en cuestiones del lenguaje. Con el objetivo de analizar esa variación, que aquí se discute a la luz del Funcionalismo Lingüístico/Lingüística centrada en el uso (GIVÓN, 1995; 2001a; 2001b; 2002; HOPPER, 1991; 1998; BYBEE, 2006; 2016) y, por esta razón, evocada a partir de las nociones de dominio funcional y del principio de la estratificación (HOPPER, 1991; GIVÓN, 2002; GÖRSKI; TAVARES, 2017), analizamos el objeto con base en una compilación de cinco noticias de repercusión mundial, en los pasos metodológicos de Autoría 1 (2007; 2010), publicadas en tiempo coincidente en periódicos electrónicos de cuatro países hispánicos (Argentina, Colombia, España y Perú). Los resultados observados en esta etapa de la investigación señalan: (i) la complejidad implicada en el recorte del subdominio funcional; (ii) la identificación de diferentes capas en el subdominio recortado, como las formas del presente, pretérito perfecto simple, pretérito perfecto compuesto y de locuciones verbales; y (iii) un uso más frecuente del pretérito perfecto compuesto en las muestras de España y de Perú, en las cuales esa forma verbal parece avanzar en el proceso de gramaticalización, de acuerdo con Autoría 1 (2010).


2021 ◽  
Vol 22 (Especial) ◽  
pp. 111-136
Author(s):  
Sebastião Carlos Leite Gonçalves

Neste artigo, insistimos na defesa de uma proposta de conciliação teórica-metodológica entre duas teorias linguísticas preocupadas com a mudança linguística – a Gramaticalização e a Sociolinguística –, destacando o pioneirismo da Linguística brasileira na elaboração dessa proposta, que passou a ser conhecida como “Sociofuncionalismo”. Para tratar dos pontos de convergência e divergência entre Teoria da Gramaticalização e Teoria da Variação e Mudança Linguística, partimos dos trabalhos de Naro e Braga (2000) e de Görski e Tavares (2013, 200-?), por terem sido os primeiros a responderem questões relevantes que levariam ao trabalho de interface entre os dois modelos teóricos. Ilustramos essa proposta de conciliação com casos de perífrases verbais de aspecto cursivo que, resultantes de gramaticalização, podem ser abordadas sob perspectiva sociofuncionalista. Primeiramente testamos dois critérios de gramaticalização – frequência de uso e parâmetros de auxiliaridade – e depois mostramos os contextos de variação entre as perífrases, provando, assim, a pertinência da proposta.


2021 ◽  
Vol 22 (Especial) ◽  
pp. 302-326
Author(s):  
Ana Beatriz Oliveira Ribeiro

Este artigo busca investigar as percepções dos sujeitos de pesquisa acerca da(s) possível(is) identidade(s) lésbica(s) e gay(s), da fala como marcador dessa(s) identidade(s), e quais seriam os usos linguísticos associados a lésbicas/gays. O corpus constitui-se de quatro entrevistas realizadas em duplas com total de oito sujeitos (quatro mulheres autodeclaradas lésbicas e quatro homens autodeclarados gays). Para geração e análise desses usos, propõem-se um instrumental metodológico para o corpus de análise, considerando: interação, intimidade e informalidade. Estudos variacionistas de terceira onda (ECKERT, 2012, 2016) instauram-se na pós-modernidade – marcada pela fluidez dos sujeitos (RAMPTON, 2006) – e apresentam um redimensionamento, pois a) o significado social das variáveis é priorizado, sujeitos e suas práticas discursivas são o locus de análise; b) inverte-se a perspectiva da variação refletindo o lugar social para variação como recurso constitutivo de significado social; c) metodologias emergem das práticas estilísticas em que os sujeitos se envolvem. Assim, as metodologias não devem ser tomadas como fixas e não devem ser apenas replicadas sem considerar a multiplicidade dos sujeitos e das singularidades das pesquisas. Observou-se: i) os sujeitos de pesquisa acreditam que não há apenas uma identidade relacionada a lésbicas/gays; ii) a maioria apontou que se sentem confortáveis para demonstrar sua(s) identidade(s) com sujeitos LGBT ou pessoas íntimas e em lugares conhecidos; iii) todos consideram que a fala pode funcionar como um marcador de estilo e identidade(s) lésbica(s)/gay(s); iv) todos os sujeitos concordam que existem usos linguísticos característicos de lésbicas/gays.


2021 ◽  
Vol 22 (Especial) ◽  
pp. 157-181
Author(s):  
Tatiana Schwochow Pimpão

A variação no uso do modo subjuntivo tem sido amplamente abordada, especialmente a partir da virada do século XXI, contribuindo com um importante mapeamento do fenômeno em dados de fala do português brasileiro. As pesquisas, muitas das quais ancoradas nos pressupostos da Teoria da Variação e Mudança, preocupam-se em controlar variáveis independentes na tentativa de identificar o contexto de retenção do subjuntivo e, por conseguinte, o contexto de entrada do modo indicativo. Independentemente das particularidades da amostra selecionada e dos procedimentos metodológicos adotados, os diferentes estudos realizados ressaltam a importância das variáveis tipo de oração e modalidade. No entanto, tais pesquisas não demonstram como o tipo de oração, situado no nível da sintaxe, está integrado ao nível discursivo-pragmático, âmbito da modalidade. Assim, este trabalho propõe incluir subtipos oracionais e proceder a um cruzamento de variáveis na tentativa de responder à seguinte questão: Como a variável de natureza sintática tipo de oração se articula com a variável de natureza discursivo-pragmática modalidade? Para responder a essa pergunta, recorre-se ao estudo de Pimpão (2012), que investigou o uso variável do presente do modo subjuntivo em dados de fala de informantes de Florianópolis e Lages (Projeto VARSUL). Resultados gerais apontam para a associação entre orações finais e submodo deôntico e entre orações causais, concessivas, condicionais, parentéticas e com o item talvez e o submodo epistêmico. Por sua vez, a oração substantiva objetiva direta exibe percentuais elevados sob o escopo do submodo deôntico, e a oração substantiva subjetiva, uso categórico de subjuntivo sob o escopo do submodo epistêmico.


2021 ◽  
Vol 22 (Especial) ◽  
pp. 18-31
Author(s):  
Carla Regina Martins Valle ◽  
Cláudia Andrea Rost Snichelotto ◽  
Edair Maria Görski

Coube a nós a desafiadora tarefa de entrevistar a professora Edair Maria Görski, nossa orientadora de mestrado e doutorado, parceira de publicações, projetos e eventos e homenageada nesta edição da revista Working Papers em Linguística. Procuramos lançar questionamentos que levassem a professora Edair a rememorar sua jornada como pesquisadora e que possibilitassem uma retomada dos principais temas que foram e são objeto de seu interesse. Entendemos que as respostas concedidas pela professora refletem sua sólida carreira na UFSC e seu olhar para a língua em uso, que integra multifuncionalidade, variação e mudança, considerando aspectos sociais, identitários/estilísticos e culturais constitutivos das línguas.


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