Revista M. Estudos sobre a morte, os mortos e o morrer
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Published By Universidade Federal Do Estado Do Rio De Janeiro UNIRIO

2525-3050

Author(s):  
Cristina de Souza Agostini

O presente artigo busca analisar a maneira pela qual a noção de míasma se mostra indispensável para a compreensão do contágio e da peste em Édipo Rei. Para tanto, tratar-se-á de alguns excertos homéricos que demonstram a relação dos personagens com a purificação das mãos antes de ações cultuais, de um lado e, de outro lado, a abordagem que Ésquilo e Sófocles conferem sobre as noções de pureza e impureza. Por fim, será aprofundada a dimensão catastrófica que o míasma pode alcançar, por meio da tragédia Édipo Rei. Desse modo, busca-se sustentar a tese de que a peste contagiosa, em Édipo Rei, é fruto da própria sujeira do personagem-título, sujeira essa para a qual Édipo não providenciou uma limpeza adequada. Nesse sentido, procura-se desvincular da peça a noção de castigo divino, para sustentar que, na tragédia, o sangue possui extrema força como veículo de contaminação.


Author(s):  
Andersen Liryo

O estudo das doenças humanas no passado, conhecida como paleopatologia, tem ajudado muito na compreensão do comportamento humano e de sua relação com o meio ambiente ao longo da história. A paleopatologia se apresenta como uma fonte substancial de informação acerca da interação homem-doenças, trabalhando com uma fonte extensa de material direto, que são os remanescentes humanos, principalmente, de sítios arqueológicos. Este artigo efetua uma revisão da literatura sobre a paleopatologia e os aspectos teóricos-metodológicos para diagnósticos de doenças no passado, abordando sua história, as especificidades do trabalho e suas limitações, apresentando elementos para uma reflexão sobre as possibilidades de colaboração com a investigação de grandes epidemias, como a do Sars-CoV-2 (COVID-19).


Author(s):  
Camila Diogo De Souza ◽  
Manuel Alberto Morales Damian ◽  
Renato Cymbalista ◽  
Adriane Piovezan

As epidemias, nos mais variados recortes históricos, contestam e perturbam as formas socioculturais tradicionais e vigentes de lidar com a morte, o morrer e os mortos, que desequilibram o mundo dos vivos em vários aspectos, ocasionando uma nova reestruturação. Face à situação mundial atual, este dossiê tem como objetivo discutir algumas maneiras como sociedades, em diferentes contextos geográficos e temporais, lidaram – ou lidam – com epidemias, e como estas impactam o processo social, cultural político e biológico do morrer e dos mortos, as visões sobre a morte e o cotidiano dos ritos fúnebres. Em consonância com a trajetória editorial da Revista M., faz uma abordagem interdisciplinar que visa entender e apresentar algumas leituras históricas, antropológicas, arqueológicas, artísticas e políticas em contextos de epidemia em todos os períodos históricos. 


Author(s):  
Federico Fernandez ◽  
Patricia Marisel Arrueta ◽  
Sebastian Matias Peralta
Keyword(s):  

Entendemos que la crisis generada por el SAR-Cov-2 globalmente reviste características de sindemia que acentúan desigualdades estructurales en los sectores vulnerables de la sociedad. La situación no es distinta en el noroeste argentino, región periférica donde se entrelazan múltiples tradiciones socioculturales. Analizamos aquí los procesos sobre los que se articulan la salud/enfermedad y la muerte, y las formas en que estas relaciones modifican las expresiones cotidianas, especialmente aquellas enraizadas en las ritualidades de la muerte. Desde un enfoque multidimensional nos proponemos comprender como la desigualdad puede reproducirse institucionalmente, y profundizar las carencias en los grupos excluidos. Así, nos interesamos por observar hechos, relatos testimoniales y entrevistas a familiares de fallecidos en este contexto, los cuales refuerzan nuestra idea de la vida y la muerte como partes indivisibles de un ciclo que persiste con fuerza y significación en los espacios públicos y privados.


Author(s):  
Dhenis Silva Maciel ◽  
Jucieldo Ferreira Alexandre

O presente artigo visa compreender como os coveiros, durante a epidemia de cólera no Ceará de 1862, foram representados sob um olhar de desconfiança, preconceito e condenação, numa conjuntura de medo e morte generalizada, quando o enterro massivo de corpos tornou-se questão sanitária fundamental. A epidemia atingiu o cotidiano, afetou as práticas fúnebres locais, promoveu a urgência na construção de cemitérios para abrigar os milhares de mortos vitimados pela doença e a contratação de coveiros. A atuação destes tornou-se alvo de apreensão das autoridades. Para tal intento, analisamos documentos oficiais, imprensa, literatura, registros paroquiais e livros de memória, à luz da análise discursiva e do entrecruzamento dos documentos. As fontes demonstram que a preocupação com os cemitérios e enterros acarretaram medidas de coação, que forçaram homens miseráveis, inclusive presidiários, a assumirem, sob violenta coerção policial, as inumações dos coléricos.


Author(s):  
Alexandra Patrícia Esteves ◽  
Silvia Daniela Pinto

Com o presente artigo apresentamos os resultados de nossa pesquisa sobre as doenças e epidemias que assolaram Portugal e, em particular, o Minho, região confinante com a província espanhola da Galiza. Para o efeito, recorremos, sobretudo, a textos médicos e à imprensa local da época. Ao longo do século XIX e nas primeiras décadas do século seguinte foram várias as moléstias que conduziram à morte e à miséria às gentes das terras minhotas, designadamente, a cólera, a varíola, o tifo, a gripe pneumônica. A pobreza, a ausência de cuidados de higiene, as precárias condições de vida da generalidade da população, entre outros fatores, potenciavam o surgimento e o alastramento de todo tipo de doenças. Com o propósito de as combater e evitar sua propagação, foram várias as medidas tomadas pelas autoridades sanitárias e administrativas, nem sempre bem aceites pela população, por colocarem em causa seu sustento e modo de vida.


Author(s):  
Renata De Morais Machado
Keyword(s):  

Este texto narra o evento do funeral de minha avó em abril de 2020, no início da pandemia do covid-19 no Brasil. Trata-se de um relato pessoal, exposto sob uma mirada antropológica. Resgato cenas e emoções experienciadas na intenção de remontá-las como dados etnográficos. Este relato é como uma fotografia em que, a partir de um cenário, conta uma história sobre a morte e os funerais durante a pandemia do coronavírus no Rio de Janeiro.


Author(s):  
Tatiana Colasante ◽  
Amanda Gomes Pereira

Com a pandemia do coronavírus no Brasil, grupos em situação de vulnerabilidade social têm sofrido mais intensamente processos de marginalização, descaso e invisibilidade. O objetivo principal deste artigo é refletir sobre a gestão da vida e da morte a partir da existência de políticas genocidas que ampliam o sofrimento social em meio a um cenário pandêmico, com subnotificações das mortes, ocultação de cadáveres e a morte social com o cerceamento dos direitos humanos. As discussões empreendidas trazem contextos que convergem para essa realidade a partir de relatos de casos de morte, dor, luto e mistanásia. A realização de entrevistas com mulheres do Maranhão, um dos estados com o maior número de pessoas em situação de pobreza no país, confirma que a pandemia ampliou os espaços de dor e de luto desse grupo em vulnerabilidade social com desemprego, dificuldades financeiras, aumento da sobrecarga de trabalho doméstico e o surgimento de problemas emocionais como ansiedade, medo e depressão.


Author(s):  
Rachel Aisengart Menezes

O presente texto relata a experiência da autora durante internação hospitalar para intervenção cardiológica, em março de 2020, quando teve início a pandemia do Covid-19. Por ser médica e antropóloga, ela observou as condutas dos profissionais do setor, no que concerne ao uso de máscaras e cuidados em relação ao coronavírus. O barulho na unidade hospitalar e a manutenção da consciência da paciente internada constituíram objeto de incômodo, respectivamente, para a autora e para a equipe de saúde. O relato aborda as dificuldades de adaptação de profissionais de saúde a novas situações, como as diretivas antecipadas de vontade; além dos desafios de lidar com doente lúcido e com capacidade de exercício de livre arbítrio.


Author(s):  
Andreia Vicente da Silva ◽  
Claudia Rodrigues ◽  
Marcelina das Graças De Almeida

Disponibilizamos para nossas leitoras e nossos leitores mais um número da Revista M. Estudos sobre a Morte, os Mortos e o Morrer, que traz em destaque o dossiê Epidemias e suas narrativas multidisciplinares ao longo da História. Esta edição constitui uma oportunidade para o entendimento das complexas e profundas relações que construímos quando pensamos na morte e, especialmente, em tempos de crise, como nas pandemias. Nas reflexões aqui presentes, conceitos como necropolítica, sindemia, mistanásia apontam para a premência de repensar as condições sociohistóricas desiguais a que estão submetidas parcelas inteiras de populações, especialmente as do eixo sul do mundo. Os artigos podem ser tomados como essenciais para pensar as (im)possibilidades de transformação de técnicas corporais, as negociações, os conflitos resultantes de saberes, certezas e dúvidas e as frustrações da vivência dos ritos de velório, sepultamento e luto. Se na iminência da morte é preciso reordenar a regra, a leitura dos textos aqui presentes possibilita um entendimento de que nem tudo pode ser controlado, nem todas as modificações são aceitas, mesmo em períodos transitórios, como neste momento pandêmico.


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