O presente trabalho propõe uma análise gótica do texto dramático A corda de prata (1947), do escritor mineiro Lúcio Cardoso, no qual problematiza-se a família burguesa, a condição da mulher no espaço doméstico e a desintegração da mesma neste ambiente repressor, cujo resultado culminará em loucura e crime. Compreendendo e realçando a clausura como espaço de manifestação vampírica, pretende-se apontar o vampirismo sofrido pela personagem feminina como condição viável ao rompimento com uma dada repressão social. Ao mesmo tempo, estabelece-se um diálogo com a novela Mathilda (1820), da escritora inglesa Mary Shelley, a fim de identificar similaridades temáticas e de composição de personagens e espaços da tradição literária gótica inglesa que figurarão, a seu modo, no texto cardosiano. A fim de embasar as questões elencadas, recorre-se às considerações de Maria da Conceição Monteiro, bem como às de Jaime Ginzburg com relação à violência, Christopher Lasch no que tange a domesticidade burguesa, e a Claude Lecouteux e Mario Praz acerca de questões ligadas ao gótico e ao mito vampírico.