Além da necessidade de escutarmos o que dizem os povos indígenas da América Latina, é preciso que também saibamos escutar o que dizem as mulheres escritoras. Até porque, se a literatura de denúncia existe e é publicada por aqui pelo menos desde o século XV, não podemos mais ignorar seu conteúdo. Não obstante, se os escritos de Clorinda Matto de Turner ficaram esquecidos por décadas, ou mesmo tenham sido relegados a um grupo restrito de intelectuais que se interessam por esse campo de estudos, o início do século XXI tem se mostrado como um momento profícuo de retomada dos trabalhos que se dedicam a investigar a vida e a obra dessa escritora pioneira – como é o caso deste livro que você, leitor ou leitora, carrega nas mãos. Conhecer um pouco mais de perto o legado artístico e intelectual de uma das personalidades femininas mais interessantes da literatura latino-americana, sob o olhar atento e cuidadoso de Heloísa Costa Rigon, torna-se uma oportunidade singular para aqueles que se interessam pela História e, não menos importante, pelos processos de transformação social por meio da força das palavras. Prof. Dr. Rafael Balseiro Zin Sociólogo e pesquisador do Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Neamp/PUC-SP). "Para entender Clorinda Matto de Turner, o presente trabalho nos convida a adentrar na História do Peru que, sem dúvida, dialoga com a história dos demais países latino-americanos que guardam as mais duras heranças do colonialismo. Este diálogo, aliás, entre Literatura e História se faz imprescindível, principalmente considerando o nosso passado colonial. Assim, compreendê-lo torna-se crucial para combater as injustiças sociais e a opressão contra os povos indígenas. [...] O livro também resvala na importância da formação de grupos femininos para o fortalecimento da literatura produzida por mulheres e de práticas feministas em prol de condições igualitárias. Desta forma, Clorinda Matto de Turner juntamente com Juana Manuela Gorriti (1818-1892), Mercedes Cabello de Carbonera (1845-1909), entre outras figuras femininas da época contribuíram para repensar a tradição narrativa no contexto latino-americano, dominada por homens e pelo eurocentrismo. " [...] Como feminista, estudiosa e admiradora da literatura de autoria feminina, é gratificante acompanhar o percurso que vem sendo traçado por Heloisa Costa Rigon. Em 2014 tive a oportunidade de orientá-la no projeto de pesquisa “A produção de autoria feminina na América Latina (1900-1950): diálogos e conexões culturais” e, hoje, ao prefaciar a sua obra, fruto de uma árdua pesquisa desenvolvida durante o seu mestrado, sinto que ela encontrou o seu ninho. Ele é livre, transgressor e pulsa." Profa. Dra. Jacicarla Souza da Silva Universidade Estadual de Londrina, UEL