scholarly journals LITERATURA E A EXPERIÊNCIA DO ESCREVER: ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE A RESISTÊNCIA NO SEIO DA LINGUAGEM

2009 ◽  
Vol 21 (28) ◽  
pp. 87
Author(s):  
Leonardo Pinto de Almeida

A partir das reflexões de Roland Barthes, Maurice Blanchot, Gilles Deleuze e Michel Foucault sobre as vicissitudes da linguagem, analisaremos o caráter transgressivo da literatura no seio da linguagem. Para tanto, partiremos da relação entre a linguagem e as palavras de ordem, mostrando a rigidez de seu uso que estaria do lado do poder, da homogeneidade, da ordem e da constância. O estereótipo e a informação são formas de atualização do ser da linguagem em seu uso costumeiro, fazendo a linguagem funcionar a partir da padronização e da noção de utilidade. No entanto, a literatura seria uma linguagem sem poder, apontando para um modo de resistir aos padrões e aos códigos linguísticos. Ela seria um modo de resistência ao fascismo da língua – uma espécie de desvio que combate o enrijecimento e o poderio da linguagem estereotipada. Uma luta tecida nas paragens da própria linguagem. Este entendimento da literatura como resistência aponta para ela como uma potência a serviço da vida que se contrapõe ao poder, exercido por mecanismos transcendentes à experiência. Com a literatura, as palavras tecem relações intensas e, às vezes, incomuns que proporcionam uma ruptura nos usos costumeiros da linguagem. Assim, concluímos que a literatura é uma escrita a serviço da vida em sua contraposição aos elementos transcendentes à experiência que os aprisiona em sua dinâmica de coerção e captura.

2011 ◽  
Vol 37 (3) ◽  
pp. 613-628 ◽  
Author(s):  
Cintya Regina Ribeiro

O presente trabalho visa problematizar a suposta constituição virtuosa entre educação e conhecimento oriunda de certa herança cultural da modernidade ocidental. A problemática ancora-se na indagação difusa, porém insistente, a ecoar no campo educacional: "o que é o ato do pensar, em educação, na contemporaneidade?". A tomada das condições atuais do pensamento como um problema de pesquisa educacional coloca em questão a histórica articulação entre conhecimento e pensamento reflexivo, obrigando ao confronto de certos amálgamas pedagógicos caros ao campo educacional moderno. Tal enfrentamento se realiza na companhia dos pensadores Michel Foucault e Friedrich Nietzsche, dada a relevância estratégica de suas produções, particularmente acerca da linguagem, da produção da verdade e de suas implicações nos modos de conhecer e pensar. Busca-se operacionalizar uma crítica da linguagem em direção a uma crítica do pensamento em educação, na chave de uma problematização ético-política. Nesse trabalho, tal plataforma analítica configura-se a partir das discussões de Michel Foucault - tanto em relação à questão do pensamento do fora, tal como elaborada por Maurice Blanchot, como em relação ao pensamento da diferença, tal como formulado por Gilles Deleuze. Sugerimos que a exploração desse debate possa atuar como um exercício de exterioridade ou de pensamento diferencial no jogo com o conhecimento e com o pensamento reflexivo presentes no campo educacional - seja no âmbito dos fazeres pedagógicos cotidianos da escola, seja no campo da produção da pesquisa educacional.


2021 ◽  
pp. 1-18
Author(s):  
Cristian Enrique Cisternas Cruz

En este artículo proponemos que en la obra literaria de Jorge Luis Borges existe una preocupación por los fines y los límites del tiempo, que ha sido abordada, desde diversos enfoques teórico-metodológicos, por sus comentadores. Este preocupación incide notablemente en el desarrollo estilístico y en el interés temático posibles de advertir en la escritura de Borges. El propósito de este artículo es iluminar las vías de orientación que genera su escritura literaria en pensadores tales como Maurice Blanchot, Michel Foucault, Gilles Deleuze y Félix Guattari. El diálogo entre literatura y filosofía es, consecuentemente, clave en este artículo, que pretende además, a partir de una serie de ejemplos de la escritura narrativa y ensayística del escritor argentino, re-instalar la preocupación por el tiempo  dentro del marco de la reflexión sobre la escritura borgeana


2021 ◽  
Vol 30 (1) ◽  
pp. 189
Author(s):  
Alex Keine De Almeida Sebastião

Resumo: Trata-se de abordar a questão da autoria, tópico já clássico em teoria da literatura, recorrendo-se, inicialmente, a algumas formulações de Roland Barthes, Michel Foucault e Maurice Blanchot. Todos eles contribuíram para desconstruir a noção de autor como aquele que detinha autoridade sobre a obra. Começando por perguntar “quem escreve?” e passando pela questão “que importa quem escreve?”, o artigo propõe o exame da afirmação “ninguém escreve”, considerando o ocaso do sujeito no processo da escrita. Neste percurso, aponta-se para a dupla valência do termo “ninguém”, em que as funções positiva e negativa podem se alternar, como ocorre, por exemplo, na Odisseia, de Homero. Ao final, recolhem-se algumas passagens da obra de Clarice Lispector que sugerem tratar-se ali de uma escrita de ninguém.Palavras-chave: autoria; escrita de ninguém; Clarice Lispector.Abstract: This work approaches the issue of authorship, an already classic topic in literature theory, by using some elaborations by Roland Barthes, Michel Foucault and Maurice Blanchot. All of them contributed to deconstruct the notion of author as the one who had authority over the work. Starting by asking “who writes?” and going through the question “what does it matter who writes?”, the article proposes to examine the statement “nobody writes”, considering the subject’s decline in the writing process. Along this path, the double valence of the term “nobody”, in which the positive and negative functions can alternate, as occurs, for instance, in Homer’s Odyssey. In the end, some passages from Clarice Lispector’s work are collected to suggest the presence of a writing of nobody.Keywords: authorship; writing of nobody; Clarice Lispector.


2004 ◽  
Vol 62 ◽  
Author(s):  
Annita Costa Malufe

O artigo discute alguns pontos do pensamento crítico da poeta carioca Ana Cristina Cesar, tendo como foco sua concepção de poesia e literatura. Nosso objetivo é fornecer subsídios, a partir da própria autora, para se perceber o engano de certas leituras que usaram vincular estreitamente sua obra e sua biografia, alimentando uma identificação romântica do senso comum. Essas leituras são alimentadas por dois fatores: o suicídio da autora aos 31 anos de idade e o fato de ela ser dona de uma escrita que remete a escritos íntimos, como o diário e a carta. Em nosso estudo, tentamos mostrar o quanto as reflexões de Ana C. se afinam com alguns importantes pensadores contemporâneos, como Gilles Deleuze, Maurice Blanchot, Roland Barthes, especialmente no que concerne a uma concepção da arte como não-representação. Ana C., the critic behind poetry Abstract The paper discusses some aspects of Ana Cristina Cesar’s critical thinking, focusing on her view of poetry and literature. Our goal is to provide some foundation to the argument that readings of her poetry based on a dose link between her work and her biography, thus fostering a common sense romantic identification, are mistaken. Such readings emerge from two facts: her suicide at the age of 31 and the fact that her writing reflects the intimacies present in diaries and letters. In this paper, we attempt to show the extent to which Ana Cesar’s reflectionsare in harmony with those conveyed by some significant contemporary scholars, such as Gilles Deleuze, Maurice Blanchot, Roland Barthes, particularly in reference to a view of art as non-representation. RÉSUMÉ Cet article discuse certains points de la pensée critique de la poète carioca Ana Cristina Cesar, en tenant par focus sa conception de poésie et littérature. Notre objective c’est de fournir quelques subsides pour percévoir, a partir de ses écrits, les malentendues des études qui ont lié sa production à sa biographie en estimulant une identification romantique pour son oeuvre. Cettes léctures ont été conduites surtout par deux facteurs: le suicide de la poète à l’âge de 31 ans, e le fact de son écriture faire quelques références au style des écrits intime, comme le journal personnel et la lettre. Dans notre étude, on a essayé de démontrer combien les réfléxions d’ Ana C. sont attachées à la pensée de la philosophie de la critique contemporaine, especialement em ce qui concerne à une concéption non-représentative de l’art, comme on l’observe en Gilles Deleuze, Maurice Blanchot, Roland Barthes.


Author(s):  
Derick Davidson Santos Teixeira

O presente trabalho pretente investigar as marcas da desrazão na escrita da poeta Sylvia Plath, em especial, em seu livro Ariel. Veremos não a suposta loucura da escritora, mas uma loucura da própria escrita. Para analisar o projeto poético da autora, partiremos de algumas propostas teóricas de Roland Barthes acerca do desejo insensato da literatura, cotejando-as com propostas teóricas de Michel Foucault, dos filósofos Giorgio Agamben e Gilles Deleuze e do psicanalista Jacques Lacan. Veremos quais são os loucos procedimentos poéticos utilizados pela poeta, no seu esforço para dizer o impossível. Será possível ver como a poeta tensiona ao máximo a linguagem e revela um grão de loucura no centro do texto. Neste ponto, a insensatez da poesia ameaça vencer o juízo da língua, a escrita enlouquece e murmura, enquanto se afasta do utilitarismo comunicacional e se livra dos comuns princípios linguísticos.


CounterText ◽  
2019 ◽  
Vol 5 (1) ◽  
pp. 1-18 ◽  
Author(s):  
Benjamin Noys

Utopias of the text are the moments of the emergence of a new and radical concept of the text as overflowing all limits and boundaries. Here these utopias are traced in the writings of Roland Barthes, Jacques Derrida, and Michel Foucault. They often emerge at the margins of these texts, in fragments or boundaries at which the utopia can be glimpsed before disappearing. These utopian moments can be reconstructed as a form of thinking the post-literary and its limits. They can also be traced to the explosion of speech during May 1968 and Maurice Blanchot is a key figure who links together this political moment with the ‘neutral’ form of writing. This article explores the fading of these utopias of the text alongside this draining of political energies. These processes of critique and waning suggest the inversion of utopias of the text into dystopias of the text. Now the sign or signifier appears dispersed or even insignificant compared to the powers and forces of post-literary domination. In this situation, however, the article suggests, the persistence of the utopias of the text as a critical horizon that can still inform how we grasp the equivocations of our post-literary moment.


2020 ◽  
Vol 13 (2) ◽  
pp. e36890
Author(s):  
José dos Santos Costa Júnior

Bastou a chegada de um corpo jovem na cela repleta de homens já velhos e gastos pelas dores do mundo para que algo ocorresse naquela madrugada. Assim ocorre na peça-teatral Barrela (1958), do escritor brasileiro Plínio Marcos (1935-1999), cuja narrativa densa e repleta de diálogos intensos e clivados por afetos múltiplos nos permite pensar toda uma concepção de humanidade, subjetividade e institucionalidade no espaço prisional brasileira das décadas de 1960 e 1970. O texto analisa a imagem do corpo jovem violado, descrevendo as intersecções de classe, gênero, geração e sexualidade que cindiram uma subjetividade coletiva alicerçada na dor e na reprodução da violência física e psicológica, mas sem incorrer em processos de individualização da violência, mas justamente buscando pensar as tecnologias de subjetivação que a literatura de Plínio Marcos permite analisar para pensar os afetos, percepções e tensões que sua escrita apresenta. A partir do diálogo com Michel Foucault, Gilles Deleuze e Maurice Blanchot busca-se pensar as relações entre a História e a Literatura, problematizando os modos de dar a ler a realidade através da escrita e da crítica social operada em meio a tempos sombrios. Deste modo, o artigo visa contribuir por meio de um exercício de experimentação para pensar sobre história do Brasil e história do corpo jovem a partir de uma fonte literária que por meio de seus perfectos e afectos como obra de arte sempre pode abrir outros modos de pensar e sentir. Tal processo nos permite pensar a literatura como um gesto de criação ético-político sobre o mundo e a vida.


Scripta ◽  
2019 ◽  
Vol 23 (47) ◽  
pp. 115-126
Author(s):  
Suelen Ariane Campiolo Trevizan

Neste ensaio, a crítica critica a si mesma, assume-se como metacrítica. Quando o ditador, personagem conceitual de Maurice Blanchot, exige que o crítico explicite qual é sua importância na contemporaneidade, este se retira para primeiro esclarecer a própria concepção de literatura. Nessa investigação, passa por pensadores da negatividade, como o já citado Blanchot, além de Michel Foucault, Gilles Deleuze e outros, até chegar a Juliano Garcia Pessanha, autor brasileiro que herda e reelabora tal tradição. Contaminada pelo tom satírico de Luciano de Samósata, proponho um entendimento de literatura como ensaio e performance. O crítico, por fim, compreende o teor artístico e o gesto político da atuação dele.


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