La « pensée du dehors » dans L’image-temps (Deleuze et Blanchot)

2007 ◽  
Vol 16 (2-3) ◽  
pp. 12-31
Author(s):  
Marie-Claire Ropars-Wuilleumier

RésuméOn examinera ici ce qu’a de particulier la lecture faite par Gilles Deleuze de la notion du dehors et de l’impuissance de la pensée chez Blanchot, qu’il subvertit en quelque sorte — l’usage deleuzien de Blanchot n’étant guère blanchotien — en appuyant sa lecture sur celle de Michel Foucault, puis en faisant ici et là un détour par Henri Bergson et saint Augustin, dont il reprendra l’idée de la multiplicité des présents (présents du passé, du présent, du futur). On verra aussi, conséquemment, comment le rôle joué par l’« attracteur étrange » que représente Maurice Blanchot dans la pensée que développe Deleuze dansL’image-tempssert à colmater une ligne de fuite qui traverse tout le dispositif de l’image-temps et fait vaciller la possibilité d’inscrire l’image dans le temps. En opposant dehors et dedans, visible et non-visible, présent et devenir, on arrivera aux conclusions suivantes, à savoir que le cinéma ne rend pas le temps visible, mais qu’il rend au contraire perceptible le mouvement par lequel le temps échappe à l’image, que l’attrait du dehors fait du paradoxe du mouvement (visible et non visible, continu et continûment discontinu) le principe même de l’image cinématographique, et que l’image-temps, enfin, est traversée par le mouvement d’un devenir qui, en prenant le nom de « pensée du dehors », met en jeu la pensée elle-même. À l’aide d’un film de Jean-Luc Godard intituléÉloge de l’amour, dont le principe d’organisation peut être considéré comme une illustration de la conception deleuzienne du temps, on verra enfin comment la logique du devenir, qui rend tout présent impossible, détermine le rapport de toute image au temps, comment le dehors, suivant cette idée d’un temps en devenir et à la linéarité rompue, empêcherait le temps en même temps qu’il en annoncerait l’éventuel avènement.

2011 ◽  
Vol 37 (3) ◽  
pp. 613-628 ◽  
Author(s):  
Cintya Regina Ribeiro

O presente trabalho visa problematizar a suposta constituição virtuosa entre educação e conhecimento oriunda de certa herança cultural da modernidade ocidental. A problemática ancora-se na indagação difusa, porém insistente, a ecoar no campo educacional: "o que é o ato do pensar, em educação, na contemporaneidade?". A tomada das condições atuais do pensamento como um problema de pesquisa educacional coloca em questão a histórica articulação entre conhecimento e pensamento reflexivo, obrigando ao confronto de certos amálgamas pedagógicos caros ao campo educacional moderno. Tal enfrentamento se realiza na companhia dos pensadores Michel Foucault e Friedrich Nietzsche, dada a relevância estratégica de suas produções, particularmente acerca da linguagem, da produção da verdade e de suas implicações nos modos de conhecer e pensar. Busca-se operacionalizar uma crítica da linguagem em direção a uma crítica do pensamento em educação, na chave de uma problematização ético-política. Nesse trabalho, tal plataforma analítica configura-se a partir das discussões de Michel Foucault - tanto em relação à questão do pensamento do fora, tal como elaborada por Maurice Blanchot, como em relação ao pensamento da diferença, tal como formulado por Gilles Deleuze. Sugerimos que a exploração desse debate possa atuar como um exercício de exterioridade ou de pensamento diferencial no jogo com o conhecimento e com o pensamento reflexivo presentes no campo educacional - seja no âmbito dos fazeres pedagógicos cotidianos da escola, seja no campo da produção da pesquisa educacional.


2021 ◽  
pp. 1-18
Author(s):  
Cristian Enrique Cisternas Cruz

En este artículo proponemos que en la obra literaria de Jorge Luis Borges existe una preocupación por los fines y los límites del tiempo, que ha sido abordada, desde diversos enfoques teórico-metodológicos, por sus comentadores. Este preocupación incide notablemente en el desarrollo estilístico y en el interés temático posibles de advertir en la escritura de Borges. El propósito de este artículo es iluminar las vías de orientación que genera su escritura literaria en pensadores tales como Maurice Blanchot, Michel Foucault, Gilles Deleuze y Félix Guattari. El diálogo entre literatura y filosofía es, consecuentemente, clave en este artículo, que pretende además, a partir de una serie de ejemplos de la escritura narrativa y ensayística del escritor argentino, re-instalar la preocupación por el tiempo  dentro del marco de la reflexión sobre la escritura borgeana


2020 ◽  
Vol 13 (2) ◽  
pp. e36890
Author(s):  
José dos Santos Costa Júnior

Bastou a chegada de um corpo jovem na cela repleta de homens já velhos e gastos pelas dores do mundo para que algo ocorresse naquela madrugada. Assim ocorre na peça-teatral Barrela (1958), do escritor brasileiro Plínio Marcos (1935-1999), cuja narrativa densa e repleta de diálogos intensos e clivados por afetos múltiplos nos permite pensar toda uma concepção de humanidade, subjetividade e institucionalidade no espaço prisional brasileira das décadas de 1960 e 1970. O texto analisa a imagem do corpo jovem violado, descrevendo as intersecções de classe, gênero, geração e sexualidade que cindiram uma subjetividade coletiva alicerçada na dor e na reprodução da violência física e psicológica, mas sem incorrer em processos de individualização da violência, mas justamente buscando pensar as tecnologias de subjetivação que a literatura de Plínio Marcos permite analisar para pensar os afetos, percepções e tensões que sua escrita apresenta. A partir do diálogo com Michel Foucault, Gilles Deleuze e Maurice Blanchot busca-se pensar as relações entre a História e a Literatura, problematizando os modos de dar a ler a realidade através da escrita e da crítica social operada em meio a tempos sombrios. Deste modo, o artigo visa contribuir por meio de um exercício de experimentação para pensar sobre história do Brasil e história do corpo jovem a partir de uma fonte literária que por meio de seus perfectos e afectos como obra de arte sempre pode abrir outros modos de pensar e sentir. Tal processo nos permite pensar a literatura como um gesto de criação ético-político sobre o mundo e a vida.


2009 ◽  
Vol 21 (28) ◽  
pp. 87
Author(s):  
Leonardo Pinto de Almeida

A partir das reflexões de Roland Barthes, Maurice Blanchot, Gilles Deleuze e Michel Foucault sobre as vicissitudes da linguagem, analisaremos o caráter transgressivo da literatura no seio da linguagem. Para tanto, partiremos da relação entre a linguagem e as palavras de ordem, mostrando a rigidez de seu uso que estaria do lado do poder, da homogeneidade, da ordem e da constância. O estereótipo e a informação são formas de atualização do ser da linguagem em seu uso costumeiro, fazendo a linguagem funcionar a partir da padronização e da noção de utilidade. No entanto, a literatura seria uma linguagem sem poder, apontando para um modo de resistir aos padrões e aos códigos linguísticos. Ela seria um modo de resistência ao fascismo da língua – uma espécie de desvio que combate o enrijecimento e o poderio da linguagem estereotipada. Uma luta tecida nas paragens da própria linguagem. Este entendimento da literatura como resistência aponta para ela como uma potência a serviço da vida que se contrapõe ao poder, exercido por mecanismos transcendentes à experiência. Com a literatura, as palavras tecem relações intensas e, às vezes, incomuns que proporcionam uma ruptura nos usos costumeiros da linguagem. Assim, concluímos que a literatura é uma escrita a serviço da vida em sua contraposição aos elementos transcendentes à experiência que os aprisiona em sua dinâmica de coerção e captura.


Scripta ◽  
2019 ◽  
Vol 23 (47) ◽  
pp. 115-126
Author(s):  
Suelen Ariane Campiolo Trevizan

Neste ensaio, a crítica critica a si mesma, assume-se como metacrítica. Quando o ditador, personagem conceitual de Maurice Blanchot, exige que o crítico explicite qual é sua importância na contemporaneidade, este se retira para primeiro esclarecer a própria concepção de literatura. Nessa investigação, passa por pensadores da negatividade, como o já citado Blanchot, além de Michel Foucault, Gilles Deleuze e outros, até chegar a Juliano Garcia Pessanha, autor brasileiro que herda e reelabora tal tradição. Contaminada pelo tom satírico de Luciano de Samósata, proponho um entendimento de literatura como ensaio e performance. O crítico, por fim, compreende o teor artístico e o gesto político da atuação dele.


Author(s):  
Rodrigo Fonseca e Rodrigues

O presente texto vem problematizar os processos contemporâneos de subjetivação nosfluxos da internet, sob a rubrica do virtual tecnológico, confrontando-os com a imagem de uma despersonalização criativa que se faz a partir de modos experimentais de sefreqüentarem a rede. Esta questão nos convida a afirmar a necessidade de experimentação de uma "micro-política" nos hábitos de encontro on line: propõe-se, apartir de concepções de F. Nietzsche, Henri Bergson, Fernando Pessoa, Gilles Deleuze e  Michel Foucault, uma prática de heteronímia do Eu, como a criação de um"personagem de virtualidades" que pode  se tornar capaz de levar tais fluxos tecnológicos para além da axiomática planejada pelos gerenciamentos tecnológicos digitais.


2018 ◽  
Vol 15 (1) ◽  
pp. 43
Author(s):  
Danichi Hausen Mizoguchi

O presente artigo parte do célebre diagnóstico do fim da história – tese defendida por Francis Fukuyama logo após a queda do muro de Berlim. Inspirado em autores como Michel Foucault, Gilles Deleuze e Giorgio Agamben, situa-se sob o viés o qual defende que a maquinaria do capital – muito mais do que um sistema econômico – é produtora de subjetividade: em tramas de saber e poder operadas por dispositivos, dobra vidas a fim de construir modos de existência de modo cada vez mais minucioso e cotidiano. O que se insinua, pois, é a tese de Walter Benjamin: o capitalismo como religião - fabricando existências ininterruptamente a partir da disseminação incessante de dispositivos. O que se anunciaria no presente, pois, seria uma geração funcionária do fim da história – aquela que viveria fazendo acontecer aquilo que certa feita Italo Calvino chamou de inferno. A partir de tal diagnóstico, sob inspiração em Maurice Blanchot e Roberto Bolaño, a aposta é de que o que se opera em uma experiência literária pode fazer fraquejar as tramas dispositivas já prontas de um suposto fim da história – e seria justamente essa a tarefa política que faz vicejar a potência da arte: fazer valer o inacabamento do mundo e, portanto, a impossibilidade do fim da história.


Author(s):  
Vanessa Lemm

Readers of Giorgio Agamben would agree that the German philosopher Friedrich Nietzsche (1844–1900) is not one of his primary interlocutors. As such, Agamben’s engagement with Nietzsche is different from the French reception of Nietzsche’s philosophy in Michel Foucault, Gilles Deleuze and Georges Bataille, as well as in his contemporary Italian colleague Roberto Esposito, for whom Nietzsche’s philosophy is a key point of reference in their thinking of politics beyond sovereignty. Agamben’s stance towards the thought of Nietzsche may seem ambiguous to some readers, in particular with regard to his shifting position on Nietzsche’s much-debated vision of the eternal recurrence of the same.


Author(s):  
Solange Puntel Mostafa ◽  
Miriam Paula Manini
Keyword(s):  

O artigo discorre sobre algumas teses de Henri Bergson em Matéria e Memória, como as diferenças de grau entre percepção e matéria, bem como as diferenças de natureza entre lembranças psicológicas e lembranças virtuais. A seguir, são apreciados os conceitos filosóficos de Gilles Deleuze sobre as imagens cinematográficas como Imagem-Movimento e Imagem-Tempo. Além disso, apresenta as reflexões de Mauricio Lissovsky acerca das imagens fotográficas e sua proximidade com Deleuze na busca por uma fundação do tempo no instante fotográfico, ilustrado com as fotografias de Cartier-Bresson. Compara os planos filosófico e científico com exemplos de indexação fotográfica, propostos no plano científico da Ciência da Informação, não para distinguir os diferentes planos ou contrastá-los em oposição, mas para instigar pensamentos e fazer pensar vindouras criações conceituais (filosóficas) para o ato da documentação fotográfica ou fílmica. Se a Ciência da Informação se beneficiar de tal filosofia, irá atualizar acontecimentos-conceitos em seu plano referencial.Palavras-chave: Imagem-movimento. Imagem-tempo. Indexação de fotografias.Link: https://revistas.ufrj.br/index.php/rca/article/view/10633


Author(s):  
Michael Germana

Ralph Ellison, Temporal Technologist examines Ralph Ellison’s body of work as an extended and ever-evolving expression of the author’s philosophy of temporality—a philosophy synthesized from the writings of Henri Bergson and Friedrich Nietzsche that anticipates the work of Gilles Deleuze. Taking the view that time is a multiplicity of dynamic processes, rather than a static container for the events of our lives, and an integral force of becoming, rather than a linear groove in which events take place, Ellison articulates a theory of temporality and social change throughout his corpus that flies in the face of all forms of linear causality and historical determinism. Integral to this theory is Ellison’s observation that the social, cultural, and legal processes constitutive of racial formation are embedded in static temporalities reiterated by historians and sociologists. In other words, Ellison’s critique of US racial history is, at bottom, a matter of time. This book reveals how, in his fiction, criticism, and photography, Ellison reclaims technologies through which static time and linear history are formalized in order to reveal intensities implicit in the present that, if actualized, could help us achieve Nietzsche’s goal of acting un-historically. The result is a wholesale reinterpretation of Ellison’s oeuvre, as well as an extension of Ellison’s ideas about the dynamism of becoming and the open-endedness of the future. It, like Ellison’s texts, affirms the chaos of possibility lurking beneath the patterns of living we mistake for enduring certainties.


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