TOTALITARISMO E MUNDO DE SEMBLÂNCIAS A PARTIR DE HANNAH ARENDT
Neste texto, proponho o conceito de mundo de semblâncias para pensar elementos antipolíticos que afastam a pluralidade humana do mundo comum e da vida pública. Para tanto, faço uma interpretação sobre Origens do totalitarismo a partir de conceitos elaborados por Arendt em A condição humana e A vida do espírito. Penso que as reflexões da autora sobre o espaço público junto às noções de aparência, pluralidade e mundo iluminam a sua teoria sobre a novidade que o totalitarismo representou na nossa história. Inicio o percurso relacionando a política com o tema da aparência e da pluralidade. Em seguida, exponho como Arendt diferencia aparência e semblância a fim de usar este último em uma chave antipolítica de ocultamento da realidade. Demonstro como a propaganda inicia a organização deste mundo de semblâncias promovendo uma alienação da vida pública e uma desmundanização por meio da mentira. A pretensão totalitária de dominação total, todavia, só encontraria sua forma mais aprofundada no terror e nos campos de extermínio, o que, caso levado às últimas consequências, pensa a autora, significaria o fim do mundo e dos seres humanos. Por fim, faço uma breve leitura sobre como o mundo de semblâncias persiste em nossa contemporaneidade.Palavras-chave: Totalitarismo. Espaço público. Aparência. Mundo de Semblâncias. Propaganda.