scholarly journals Social movements and environmental health in Rio de Janeiro: contributions for national reflections

2010 ◽  
Vol 3 (4) ◽  
pp. 100
Author(s):  
Eduardo Stotz ◽  
Frederico Perez

Movimentos sociais são formas de ação coletiva mais ou menos permanentes, pautadas por distintos projetos, orientações e significados, empenhados na luta pela igualdade, liberdade e democratização das relações sociais. No campo da Saúde Ambiental, é destacado o papel desses movimentos na construção de uma agenda política, cuja expressão máxima se traduz na organização da I Conferência Nacional de Saúde Ambiental, em dezembro de 2009, na cidade de Brasília. O presente manuscrito apresenta algumas contribuições para a discussão sobre as relações entre os movimentos sociais e a construção de uma agenda política para o campo da Saúde Ambiental, a partir de uma análise crítica da atuação dos principais grupos envolvidos com o campo no estado do Rio de Janeiro. Através da análise de documentos (relatórios finais, cartas de princípios, documentos síntese, etc.) produzidos em fóruns onde a atuação desses movimentos teve destaque, foi possível observar que a atuação desses movimentos sociais pautou e deu a tônica dos conflitos socioambientais no estado do Rio de Janeiro colocando, de um lado, o Poder Público e as políticas desenvolvimentistas e, de outro, a sociedade e a preocupação com a preservação de recursos naturais e da qualidade do ambiente. Seja no campo, onde se torna cada vez mais urgente a busca por outro tipo de desenvolvimento econômico, ou nas cidades, onde o crescimento desordenado, delimitado por forças motrizes de ordem estritamente econômica, gera diferentes tipos de pressão que alteram o estado do ambiente e colocam um contingente populacional cada vez maior em situação de vulnerabilidade socioambiental, a pauta dos movimentos sociais em torno das questões socioambientais é extensa, e exige uma atenção especial por parte do Poder Público.

2019 ◽  
Vol 7 (17) ◽  
Author(s):  
Simone Gomes

O trabalho discute a organização prisional em facções a partir de paralelos com ações coletivas, com teorias dos movimentos sociais para lançar luz às práticas das facções prisionais. Dessa forma, baseado em um trabalho de inspiração etnográfica em prisões masculinas e femininas no Rio de Janeiro, Manaus e Fortaleza, abordaremos convergências e diferenças entre o modus operandi das facções prisionais do país, Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho (CV), Facção do Norte (FDN) e Guardiões do Estado (GDE) e movimentos sociais. Desde 2006, aumentaram significativamente as rebeliões, queima de veículos e transferência de presos, como instrumentos de barganha, aqui entendidas como repertórios. A pesquisa aponta para um funcionamento das facções que, por ser empiricamente orientado, traz elementos inovadores para pensar os limites e as possibilidades das teorias da ação coletiva.


2017 ◽  
Vol 6 (3) ◽  
pp. 166
Author(s):  
Alice Vignoli Reis ◽  
Mônica Botelho Alvim

ResumoNossas cidades sãofortemente marcadas por processos de segregação socioespacial que as dividem em territórios  estrangeiros, cada qual com seu universo cultural próprio. Essesestrangeirismos frequentemente colocam desafios às práticas de extensão universitária, ou outras práticas de pesquisa e trabalho que colocam em contato distintos universos culturais. Apartir da experiência de se sentir estrangeira na Favela da Mangueira, que se deu no âmbito de um projeto de extensão universitária vinculado ao Instituto de Psicologia da UFRJ,pretendemos traçar uma reflexão sobre como delimitam-seessas fronteiras urbanas e sobre as possibilidades de invenção do comum em uma cidade dividida, colocando em diálogo nossas experiências no campo com as elaborações de autores da fenomenologia, filosofia política, história, arte e urbanismo. Buscamos colaborar, desta forma, com aqueles que atuam emprojetos de pesquisa-intervenção, extensão universitária, movimentos sociais, ONGs e outras formas de organização social que trabalhem em zonas fronteiriças dentro da cidade.Palavras-chave: Segregação Urbana; Produção do Comum; Estética; Política; Pesquisa-Intervenção.AbstractOur cities are keenly characterized by processes of socio-spatial segregation which divide them into estranged territories, each with its own cultural universe. Such estrangements areoften challenging to university extension practices, as wellas to other work and research practices which foster contact between different cultural universes. Based on our experience of‘feeling like a foreigner’ in the Favela da Mangueira during a university extension project associated with the Institute of Psychology of the Federal University of Rio de Janeiro, we offer a reflection on how urban partitions arise and how we can invent the common in a divided city. We look to make our experiences in the field conversant with the works of authors from different areas, such as phenomenology, political philosophy, history, art and urbanism. Thus, we seek to collaborate with other researchers who direct research-intervention projects, university extension, social movements, NGOs and other types of social organizations working in urban fringe zones.Keywords: Urban Segregation; Production of the Common; Aesthetics; Politics; Research-Intervention.


2018 ◽  
pp. 5-11
Author(s):  
Paulo Cesar Da Costa Gomes ◽  
Letícia Parente Ribeiro

RESUMOA ativação política dos espaços públicos é comumente associada à sua mobilização extraordinária por grandes movimentos sociais. Ao seu uso cotidiano e ordinário, ao contrário, raramente é atribuído um significado político forte. A partir de uma discussão sobre a estratégia de manifestação política conhecida como “ocupação”, e de exemplos oriundos de pesquisas realizadas em espaços públicos da cidade do Rio de Janeiro, este artigo propõe uma nova perspectiva sobre esta oposição, ainda dominante na bibliografia.Palavras-chave: espaço público; ocupação; sociabilidade. ABSTRACTThe political activation of public spaces is commonly associated with their extraordinary mobilization by large social movements. On the contrary, a strong political significance is rarely attributed to the everyday and ordinary use of these spaces. Based on a discussion about the strategy of political manifestation known as “occupation” and presenting examples from research carried out in public spaces in the city of Rio de Janeiro, this article proposes a new approach to this opposition, still dominant in academic literature.Keywords: public space; occupy; sociability.


2021 ◽  
Vol 15 (4) ◽  
Author(s):  
Naomi Orton ◽  
Liana De Andrade Biar

Considerable scholarly attention has been devoted to the investigation of language and gendered performances in the workplace, particularly in the Global North. However, as yet few studies have examined such dynamics in the context of contemporary social movements. Drawing on (auto)ethnographic observations and audio recordings, this article takes a critical look at the negotiation of meaning in public debates held by bicycle advocates in Rio de Janeiro. The gendered performances which arise from small stories suggest that female participants find themselves in a ‘double bind’ as they seek to raise awareness of the gendered violence they experience whilst simultaneously adhering to the discursive norms of the movement. Such performances may be understood as characteristic of a postfeminist sensibility in which everyday violence is mitigated in order to project a courageous, resilient subject undeterred by such threats.


Author(s):  
Anna Lora-Wainwright

Chapter 1 situates the book vis-à-vis relevant literature on social movements, environmentalism, environmental health and these areas as they relate to China. In the first part, it suggests that environmentalism may take very diverse forms and it is powerfully shaped by its cultural, social, political and economic contexts. These contexts in turn affect the ways in which locals value environment, health and development and the extent to which they may be uncertain about pollution’s health effects. In light of this, the chapter presents “resigned activism” as a conceptual tool for bridging analyses of activism and resignation, and for showing how they merge across a wide range of villagers’ attitudes and everyday practices. In the second part, it outlines some of China’s environmental challenges and burgeoning environmentalism. It argues in favour of looking beyond the obvious environmental agents (NGOs) and strategies, towards less visible environmental subjectivities.


2018 ◽  
pp. 77-100
Author(s):  
Marcia Alvarenga ◽  
Diego Peçanha Moreirão ◽  
Isadora Silva Marques

O artigo tem como objetivo analisar a inter-relação entre Educação Popular e movimento sociais, entremeada pela dialética formulada por Paulo Freire entre “situação-limite” e “inédito viável”, tendo como recorte empírico territorial o Complexo da Maré, no Estado do Rio de Janeiro. Metodologicamente, dedica-se atenção às fontes impressas e virtuais produzidas e apropriadas pelos movimentos em redes da Maré, consideradas na pesquisa como instrumentos de mobilização que articulam ações inspiradas em matrizes político-pedagógicas da Educação Popular. Conclui-se que essa inter-relação constitui, em si, inéditos viáveis para superação das situações-limite vividas pelos moradores no cotidiano da produção social do território. Palavras-chave: Educação Popular. Complexo da Maré. Inéditos viáveis. Inter-relationships between Popular Education and social movements in the mobilization of rapid inedies in the Maré Complex/RJ AbstractThe article aims to analyze the interrelation between Popular Education and social movements interspersed by the dialectic formulated by Paulo Freire between “limit situation” and “viable unpublished”, having as a territorial empirical cut the Complexo da Maré in the state of Rio de Janeiro. Methodologically, we pay attention to the printed and virtual sources produced and appropriated by the movements in Maré networks, considered in the research as instruments of mobilization that articulate actions inspired by political-pedagogical matrices of the EP. We conclude that this interrelationship is, in itself, viable unpublished to overcome the limit situations lived by the residents in the daily production of social territory. Keywords: Popular Education. Maré. Rapid inedies. Interrelaciones entre Educación Popular y movimientos sociales en la movilización de inéditos viables en el Complejo de la Maré/RJ ResumenEl artículo tiene como objetivo analizar la interrelación entre Educación Popular y movimiento social entremezclada por la dialéctica formulada por Paulo Freire entre “situación límite” e “inédito viable”, teniendo como recorte empírico territorial el Complejo de la Maré, en el estado de Río de Janeiro. Metodológicamente, dedicamos atención a las fuentes impresas y virtuales producidas y apropiadas por los movimientos en redes de Maré, consideradas en la investigación como instrumentos de movilización que articulan acciones inspiradas en matrices político-pedagógicas de la EP. Concluimos que esta interrelación, constituye, en sí, inéditos viables para superar las situaciones límite vividas por los habitantes en el cotidiano de la producción social del territorio. Palabras clave: Educación Popular. Complejo de la Maré. Inéditos viables.


2020 ◽  
Vol 30 (2) ◽  
pp. 236-270 ◽  
Author(s):  
Naomi Orton ◽  
Liana de Andrade Biar

Abstract The notion of horizontal, “structureless” organisation continues to hold resounding appeal for those seeking to create more egalitarian societies. Given horizontality’s comfortable status as the golden child of contemporary social movements, in this article we ask to what extent symmetrical relations may materialize discursively within an ostensibly horizontal group. To do so, we analyse two narratives of resistance which emerge during a meeting of bicycle advocates in Rio de Janeiro, Brazil. Uniting insider and outsider perspectives, our analysis suggests that gendered asymmetries are simultaneously contested and reified during the activists’ narrative and interactional practice. As such, this study highlights the need to take a critical stance towards discursive practice in order to further understand the construction of horizontality. In so doing, it may then be possible to build communities which foster minority groups’ active participation and the very transformative practice sought out by those who engage in social movements.


2020 ◽  
Vol 8 (20) ◽  
pp. 153-176
Author(s):  
Taísa Sanches ◽  
Brena Almeida ◽  
Angela Paiva

A criminalização dos movimentos sociais no Brasil tem sido acirrada nos últimos anos, marcados pela adoção de um modelo de controle social repressivo direcionado às populações faveladas. Este artigo propõe que dita criminalização se remete especificamente aos símbolos e identidades relacionados à população pobre, notadamente na cidade do Rio de Janeiro. A partir da categoria “urbanismo subalterno” proposta por Ananya Roy, explora-se como os movimentos sociais favelados operaram transformações em seu repertório de ação, de forma a contestar dita criminalização. Apresentamos resultados e interpretações derivadas de pesquisas, realizadas entre 2013 e 2020, que acompanharam movimentos de mães e familiares de vítimas de violência estatal e movimentos em luta por moradia. AbstractThe criminalization of social movements in Brazil has been rampant in recent years, marked by the adoption of a model of repressive social control directed at favela’s populations. This article proposes that this criminalization targets specifically symbols and identities related to the poor population, notably in the city of Rio de Janeiro. Based on the category “subaltern urbanism” proposed by Ananya Roy, we explored how the favela’s social movements transformed their repertoire of action in order to contest this criminalization. We present results and interpretations derived from research carried out between 2013 and 2020, which followed movements of mothers and family members of victims of state violence, as well as movements in the struggle for housing.


Author(s):  
Joana DArc Ferraz ◽  
Lucas Campos

The sites of memory, in Pierre Nora's perspective (1993), are spaces of eternalization of a memory's group that can no longer be spontaneously evoked by collective memory. There is a large dispute between the State and the social movements regarding the preservation of historical heritage that alludes to the Brazilian military-business coup (1964-1985) in Rio de Janeiro. We intend to think the political place of these sites of memories, consulting the patrimony of spaces and buildings which advocate for the coup and dictatorship, in the city of Rio de Janeiro. The policy that has been practiced so far by the State can be defined as conciliatory. However, the social movements demand the insertion of their voices in these places, considering them, silenced or forgotten. We are interested in analyzing these disputes and how they reflect on society. Key words: Brazilian military-business dictatorship; memory; patrimony.


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