scholarly journals Reflexões comparadas sobre a ética utilitarista nas obras "A carteira", de Machado de Assis, e "O capote", de Nikolai Gogol

2021 ◽  
Vol 2 (2) ◽  
pp. 167-181
Author(s):  
Júlia Lopes Penido Pena ◽  
Marcus Freitas

Sob a luz das obras A ética protestante e o “espírito” do capitalismo, de Max Weber (2007), e As ideias fora do lugar, de Roberto Schwarz (1992), este trabalho visa à análise comparativa dos contos A carteira, de Machado de Assis (2019), e O capote, de Nikolai Gogol (2001). Assim, a contraposição dos contextos das obras evidenciou grande semelhança entre as sociedades - como Schwarz deixa claro -, o que reflete na proximidade das características morais das personagens dos contos. Tais características, sobretudo referentes à economia, deixam clara a discrepância da ética presente em países protestantes – descritos por Weber. Em A carteira, Machado nos apresenta Honório como protagonista, o qual preza pela imagem de homem honrado, e, principalmente, pela manutenção de seus créditos social e financeiro, ainda que desenvolva questionamentos morais ao longo do conto. Já em O capote, Gogol faz com que Akaki seja a representação do homem que preza pelo trabalho pelo viés tradicionalista – sem visar ao acúmulo de dinheiro ou ao lucro. Os contos analisados, por serem verossímeis, apresentam, respectivamente, características sociais do Brasil Império e da Rússia czarista e, portanto, suas personagens reproduzem padrões éticos vigentes na época – o que permite analisar e comparar as obras e os contextos em que estas estão inseridas. Por meio deste trabalho, a ética utilitarista – pregada por Benjamin Franklin e descrita por Weber – se mostrou presente em ambas as sociedades, ainda que o tradicionalismo estivesse presente, o que evidenciou o fato de que tais elementos não são excludentes.

2004 ◽  
Vol 18 (51) ◽  
pp. 355-376 ◽  
Author(s):  
Alfredo Bosi
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RAYMUNDO Faoro dedicou sua obra Machado de Assis: a pirâmide e o trapézio ao estudo das relações entre as situações e as personagens do narrador e a mentalidade das classes sociais e dos grupos de status do Brasil imperial. O esquema geral da sua interpretação de Machado de Assis retoma a estrutura da sua obra-prima, Os donos do poder, fortemente influenciada pelo pensamento de Max Weber. Na obra de Machado estariam representados os estamentos (trapézio) e as classes (pirâmide). Além disso, haveria no romancista um distanciamento de valores e de estilo em relação ao aburguesamento das elites do Segundo Império. O artigo aponta também para a dimensão universalizante do "moralismo" clássico, que Faoro reconhece como um dos eixos da perspectiva ficcional de Machado.


2021 ◽  
pp. 251-284
Author(s):  
Paolo Zanotto
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Come dimostra ampiamente il dibattito accademico degli ultimi decenni, la controversia sulle origini del capitalismo non cessa di suscitare un enorme interesse. Da un secolo a questa parte, in seguito alla pubblicazione del classico di Max Weber sull’argomento1, si sono susseguite anche le polemiche sulla bontà della sua interpretazione. L’idea secondo cui l’etica calvinista sarebbe stata il motore ideologico che spinse il progresso verso un’organizzazione razionale dell’economia liberale ha incontrato non pochi seguaci, ma altrettanti contestatori. Lo stesso Giorgio Galli, nell’incipit dell’introduzione ad un’assai diffusa edizione dello scritto weberiano, non ha potuto fare a meno di riconoscere come il sociologo tedesco sia considerato, «si può dire unanimemente, uno tra i grandi maestri —forse il maggiore— delle scienze sociali e umane del nostro secolo. Ma mentre l’insieme della sua opera è oggetto di generale apprezzamento, il saggio sull’Etica protestante e lo spirito del capitalismo incontra lo stesso destino degli scritti di Marx sulla struttura di classe e di Bachofen sul matriarcato: oggetto di continue contestazioni, viene continuamente riproposto; criticato una volta «in modo definitivo», risorge dalle ceneri; e deve essere ricriticato altre diecine di volte»2. Stando poi alla drastica affermazione formulata da Herberth Lüthy, «nessuno degli accostamenti di Weber su punti di dottrina o di etica tra l’insegnamento calviniano e l’economia capitalistica ha veramente resistito alla critica»3. Non c’è dubbio che sussistano punti oscuri nell’interpretazione in base alla quale si pretenderebbe di unire con un nesso causale puritanesimo e capitalismo. Fra le maggiori critiche avanzate, due svettano in particolare. Una è quella che, fondandosi non sulle interpretazioni ma sui fatti storici, ha posto l’accento su come il sistema si fosse sviluppato ed affermato, cronologicamente, ben prima della riforma protestante. A tentare di fornire una data precisa, per quanto puramente simbolica, dell’atto di nascita del capitalismo si è provato il giurista Ubaldo Giuliani-Balestrino4.


2006 ◽  
Vol 61 (3) ◽  
pp. 240-248 ◽  
Author(s):  
Stanley Finger ◽  
Franklin Zaromb
Keyword(s):  

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