scholarly journals Prefácio - Transições Agroecológicas e a Necessária Mudança nos Sistemas Produtivos

2021 ◽  
pp. 14-15
Author(s):  
Márcea Andrade Sales
Keyword(s):  

Afagar a terra é uma atitude a ser potencializada para habitar a Terra; uma transição necessária para a vida neste planeta. Transição que resulta de movimento e, consequentemente, mudança de uma etapa, uma fase, um estado para outras configurações possíveis. Etimologicamente, carrega o sentido de alteração, trânsito, troca, transferência, passagem... Epistemologicamente, demanda engajamento e comprometimento frente a fluxos e processos que envolvam articulações coletivas. No campo da pesquisa e, esta, realizada em Instituições públicas de ensino, cumpre dar relevo ao trânsito das informações, à troca de saberes, transferência de tecnologias, passagens com caminhos construídos coletivamente e de modo horizontal entre quem produz o conhecimento científico sistematizado, em respeito e alinhamento ao conhecimento empírico, forjado no campo da prática. A trajetória dos/as pesquisadores/as que apresentam seus textos neste livro, intitulado Transições Agroecológicas - evoluindo em sistemas produtivos, traz o percurso de cada um/a e suas implicações com a Agroecologia no Semiárido brasileiro, notadamente, na região circunvizinha da cidade de Juazeiro/BA. Os textos, aqui apresentados, são resultados de pesquisas realizadas por professores/as e estudantes que têm sua inserção profissional em uma Universidade pública, multicampi e, por isto, diversa, pois está em todos os Territórios de Identidade do nosso Estado – a Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Inserção esta que se dá, também, na articulação com a sociedade, seus setores e movimentos sociais. Assim, a produção científica, aqui apresentada, resulta de compromisso público com a responsabilidade social de envolver atores em atos de pesquisa, com vistas a uma organização social referenciada. Atos estes que traduzem concepções de educação para a formação do sujeito. Humberto Maturana, neurobiólogo chileno, criador da teoria da autopoiese e da biologia do conhecer, nos provoca a pensar que, ... não se pode refletir sobre a educação sem antes, ou simultaneamente, refletir sobre essa coisa tão fundamental no viver cotidiano que é o projeto de país no qual estão inseridas nossas reflexões sobre a educação. Temos um projeto de país? (MATURANA, 2002, p. 12). Certamente, temos um projeto de país, mas como temos participado desse projeto, e de que país podemos falar? No campo da agroecologia, expressões como processos socioeducativos; abordagens sustentáveis; sistemas biodiversos; agricultura orgânica; cultivo sustentável; segurança alimentar e ambiental, dentre outras que lemos nos textos, aqui, nos são caras, pois se vinculam a um projeto de país que nos provoca a pensar sobre práticas sociais para habitar nosso Planeta, sustentadas em produção ambientalmente correta e socialmente justa (ARAÚJO, BARROS, BOMFIM, 2021), segundo abordagens conceituais apresentadas neste livro. Assim, Transições agroecológicas são fundamentais para que possamos, Debulhar o trigo Recolher cada bago do trigo Forjar no trigo o milagre do pão E se fartar de pão (Milton Nascimento e Chico Buarque, 1979) Que assim seja! Que pesquisadores/as e produtores agrícolas tenham a devida força e coragem para este feito, e possamos todos/as nos fartar de pão!

2005 ◽  
Vol 8 (2) ◽  
Author(s):  
Sonia Isabel Dondonis Daudt
Keyword(s):  

Esta tese é o resultado de um estudo teórico embasado, principalmente, na Teoria da Biologia do Conhecer, do biólogo Humberto Maturana, e de uma reflexão sobre um história de entrelaçamentos de vivências no âmbito de uma experiência pedagógica diferente da tradicionalmente desenvolvida em um curso de graduação, e de como esta maneira de ver e viver a educação pode produzir outras relações nos domínios do ensino. O principal foco de investigação foi: estudar como as ações docentes e discentes estabelecidas no operar de um curso de graduação, a partir de uma proposta pedagógica por Programas de aprendizagem e o uso do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), podem produzir outras relações nos domínios do ensino, da pesquisa e da extensão. Adotando uma metodologia de estudo de caso, o componente empírico deste trabalho apresenta e analisa o Curso de Administração: Gestão, Inovação e Liderança, uma iniciativa que implementa um modelo de curso com um currículo organizado por Programas de Aprendizagem, com o uso de um Ambiente Virtual de Aprendizagem. Uma diversidade de fontes de informações subsidiou a análise deste estudo: entrevistas, anotações de campo e extratos eletrônicos, que foram cruzados e complementados entre si. As evidências resultantes desta investigação mostram que as mudanças instituídas nos modos de operar neste curso - que refletem nas relações entre pesquisa, ensino e extensão -, estão relacionadas às maneiras como os sujeitos conversaram entre si, formando novas redes de ação e de convivência.


2021 ◽  
pp. e021020
Author(s):  
Milagros Elena Rodríguez ◽  
Ivan Fortunato
Keyword(s):  

Este texto monográfico é uma homenagem e agradecimento a Humberto Maturana por suas contribuições sobre o amor na vida humana. Discutimos as ideias do biólogo em diálogo com Alexander Neill, da escola Summerhill, e o pensamento complexo de Edgar Morín, buscando compreender melhor a proposta do sentimento. Compreendemos a necessidade, urgência e fundamental importância de tudo isso na prática e formação de professores.


2008 ◽  
Vol 6 (3) ◽  
pp. 443-456 ◽  
Author(s):  
Ricardo Burg Ceccim ◽  
Alcindo Antônio Ferla

O artigo procura construir, a partir de uma memória da Reforma Sanitária Brasileira e de aproximações entre as áreas científicas da Educação e da Saúde, uma micropercepção (matéria para o pensar, aprender, conhecer) emergência de um domínio de conhecimento designado por Educação e Ensino da Saúde. Esse domínio emergente estaria bastante associado invenção da Saúde Coletiva, no campo científico da saúde, e com à invenção do Controle Social em Saúde, no campo da intervenção política nesse setor. O novo domínio de conhecimento seria caracterizado por uma implicação singular do ensino com a cidadania, permitindo a travessia de fronteiras entre educação e saúde pela via da educação permanente em saúde. Os temas do ensino e da cidadania são problematizados com o auxílio explícito ou não (via seus leitores) de alguns pensadores da filosofia e do contemporâneo, como Michel Foucault, Michel Serres, Gilles Deleuze, Félix Guattari, Francisco Varela, Humberto Maturana e Ilya Prigogine.


2005 ◽  
Vol 44 (1) ◽  
pp. 115-132
Author(s):  
Dinorá Fraga ◽  
Tânia Flores
Keyword(s):  
On Line ◽  

Herdeiros da ciência moderna, os textos lingüísticos obrigam seus usuários a tratá-los analiticamente, partindo do todo para as partes ou das partes para o todo em seqüências que vão da esquerda para a direita, de cima para baixo, segundo um princípio de sucessão linear descontínua. O contexto informatizado nos apresenta uma outra concepção de conhecimento orientada por autores como Edgard Morin e Humberto Maturana, com implicações sobre lógica cultural que resulta em um novo modo de produzir texto: o "hiper" texto. Este artigo defende a idéia de que estrutura, interação e padrões de organização dos meios informatizados, na produção de sentido, são expressões de um novo ambiente cultural, que exige novos temas para a Lingüística como a compreensão de sujeito e de autoria, a serem revisitados na perspectiva da enunciação no ambiente informatizado. Almejamos a análise do processo de referenciação hipertextual através do estudo da natureza dos links associativos em sua função coesiva - natureza anafórica, catafórica, associativa e esquemática, a partir dos estudos de George Landaw (1995) e Ingedore Koch (2000), tendo reportagens on line como universo interpretativo. Propomos, com as verificações, que os links não têm a função de retomada linear como no texto impresso, mas que eles têm a função de continuidade semântica, não como um fenômemo de dependência interpretativa, conforme concepção de referente, mas como sendo um fenômeno de abertura e de independência, fazendo do texto um documento aberto.


Nature ◽  
2021 ◽  
Vol 594 (7862) ◽  
pp. 177-177
Author(s):  
Francisco J. Parada ◽  
Alejandra Rossi ◽  
Daniel Rojas-Líbano
Keyword(s):  

Author(s):  
Valdo Barcelos ◽  
Sandra Maders
Keyword(s):  

Uma maneira de começarmos um texto sobre a educação escolar indígena no Brasil é lembrando que, quando aqui chegaram os navegadores portugueses, nos idos de 1500, esse território era habitado por cerca de mil povos diferentes – transcorridos cerca de 500 anos, restam não mais de 200. Mesmo assim, a grande maioria dos brasileiros não sabe que são faladas cerca de 180 línguas diferentes. Este texto resulta de um conjunto de pesquisas sobre a situação da educação escolar indígena e tem como um de seus objetivos explicitar as contribuições de algumas proposições epistemológicas de Humberto Maturana para a edificação de uma educação junto às comunidades indígenas que promova a inclusão social e cultural. Nossas pesquisas têm demonstrado que, para que essa educação escolar indígena aconteça de forma inclusiva, há que se atentar para emoções como o cuidado, a escuta e o acolhimento das diferenças no espaço escolar numa perspectiva de diálogo intercultural.


2019 ◽  
pp. 144
Author(s):  
Sergio Manosalva Mena

Con el propósito de iniciar una reflexión en torno a escuelas de enfoque inclusivo, en el presente artículo se exponen los conceptos de liderazgo y comunicación desde la perspectiva teórica sistémica de Niklas Luhmann, y de epistemología de la biología del conocer de Humberto Maturana. La definición del concepto de liderazgo que se explora en este artículo está estrechamente vinculada a una comprensión de la comunicación como la capacidad basal autopoiética que hace posible la viabilidad de todo sistema social, sea o no productivo, tenga o no fines de rentabilidad. Esta relación entre liderazgo y comunicación permite levantar la tesis de que toda/o líder debe operar con un alto grado de inteligencia comunicativa para conservar la viabilidad adaptativa de un sistema social, en particular si se trata de sistemas educativos que, al ser en la diversidad, deben ampliar su espectro comunicativo más allá de sus fronteras, condición sine qua non para ser inclusivos.


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