scholarly journals LEVANTAMENTO PRELIMINAR DA MASTOFAUNA TERRESTRE EM ÁREA DE ECÓTONO PAMPA/MATA ATLÂNTICA NA REGIÃO DAS MISSÕES, RS, BRASIL

2021 ◽  
Author(s):  
Inaê Carolina Sfalcin

Introdução: No Rio Grande do Sul, os biomas Pampa e Mata Atlântica abrigam mais de 90 espécies de mamíferos terrestres. Embora ambos sustentem grande diversidade, levantamentos mastofaunísticos nos ecótonos são limitados e pouco se conhece sobre sua ecologia. Esta falta de informações somada à intensa alteração antrópica que esses biomas enfrentam há décadas, abre lacunas importantes na busca pela conservação da biodiversidade desses locais. Objetivo: Realizar um levantamento preliminar de mamíferos terrestres de médio e grande porte em São João das Missões/São Miguel das Missões, RS, Brasil. Materiais e Métodos: Em uma área rural de 155 ha, composta de campo nativo, lavoura cultivada e fragmentos de mata, aplicou-se três métodos de coleta: procura visual ativa, em busca de observações diretas e vestígios de mamíferos; captura viva em armadilhas Tomahawk e coleta de depoimentos de moradores locais. Um esforço amostral de 32 horas foi atingido em oito campanhas de campo, entre agosto e novembro de 2020. Resultados: Obteve-se o registro de 18 espécies de mamíferos distribuídas em sete ordens, quatorze famílias e dezessete gêneros, representando aproximadamente 18,4% das espécies terrestres listadas atualmente para o RS. A ordem mais diversa foi Carnivora (4 famílias; 6 espécies), seguido de Rodentia (4 famílias; 5 espécies). Foram amostradas seis espécies ameaçadas de extinção: Cuniculus paca, Leopardus guttulus, Leopardus pardalis, Mazama gouazoubira, Nasua nasua e Tamandua tetradactyla; duas espécies exóticas, Sus scrofa e Lepus sp., além de Cavia aperea; Coendou spinosus; Conepatus chinga; Dasypus novemcinctus; Didelphis albiventris; Euphractus sexcinctus; Hydrochoerus hydrochaeris; Lycalopex gymnocercus; Myocastor coypus e Procyon cancrivorus. H. hydrochaeris (LC), M. gouazoubira (VU) e N. nasua (VU) estiveram presentes em todas as campanhas. Conclusão: Os resultados demonstraram uma considerável riqueza de mamíferos, dado o curto período de amostragem. Grupos generalistas e de médio porte predominaram, incluindo espécies ameaçadas e de importância ecológica. Os carnívoros representaram um terço dos registros, reforçando a relevância do monitoramento e conservação ambiental local, já que são exigentes quanto à qualidade do habitat. Pesquisas adicionais com métodos de coleta aprimorados e em um período anual podem melhorar o perfil da riqueza e diversidade da mastofauna loco-regional.

2021 ◽  
Vol 1 (1) ◽  
pp. 2-7
Author(s):  
Alex Bager ◽  
Érika Castro

O banco de dados inclui dados derivados de levantamentos de armadilhas fotográficas de mamíferos de médio e grande porte, realizados na Estação Ecológica de Taim, uma unidade de conservação federal no sul do Brasil. Todas as informações foram registradas entre março de 2002 e maio de 2003 como parte do projeto Estrada Viva, que avaliou os efeitos da estrada sobre a biodiversidade nesta área protegida. Foram instaladas armadilhas fotográficas em quatro áreas com diferentes graus de impactos antrópicos (próximo e distante da rodovia) e tipo de vegetação (campo e floresta). Foram identificadas 13 espécies de mamíferos de médio e grande porte; 11 nativas, uma exótica e outra doméstica. As espécies foram: Capivara (Hydrochoerus hydrochaeris; n = 481), Cachorro-do-campo (Lycalopex gymnocercus; n = 68), Cachorro-do-mato (Cerdocyon thous; n = 51), Ratão-do-banhado (Myocastor coypus; n = 29), Tatu-galinha (Dasypus novemcinctus; n = 24), Mão-pelada (Procyon crancrivorus; n = 7), Zorrilho (Conepatus chinga; n = 6), Lebre (Lepus capensis; n = 5); Lontra (Lontra longicaudis; n = 4); Gato-do-mato-grande (Leopardus geoffroyi; n = 4); Gambá-de-orelhas-brancas (Didelphis albiventris; n = 3); Gato doméstico (Felis catus; n = 2); Tatu-peludo (Euphractus sexcinctus; n = 2). Os dados permitem avaliar os efeitos da paisagem e da presença de estradas na composição da comunidade faunística da região.


2007 ◽  
Vol 24 (4) ◽  
pp. 1087-1100 ◽  
Author(s):  
Carlos B. Kasper ◽  
Fábio D. Mazim ◽  
José B. G. Soares ◽  
Tadeu G. de Oliveira ◽  
Marta E. Fabián

Entre janeiro de 2005 e dezembro de 2006 foram realizados estudos sobre a composição e abundância relativa dos mamíferos de médio e grande porte do Parque Estadual do Turvo. Para tanto, foram utilizados registros de armadilhas fotográficas além de visualizações e dados sobre presença e ausência de pegadas ao longo de transectos pré-determinados. No total foram registradas 29 espécies de mamíferos de médio e grande porte, das quais Dasyprocta azarae Lichtenstein, 1823 e Sylvilagus brasiliensis (Linnaeus, 1758) foram as espécies com maior número de registros. No que se refere a Carnivora, Nasua nasua (Linnaeus, 1766) e Leopardus pardalis (Linnaeus, 1758) tiveram os maiores índices de registro, enquanto Leopardus tigrinus (Schreber, 1775), Leopardus wiedii (Schinz, 1782) e Galictis cuja (Molina 1782) os menores. Entre os ungulados apenas Pecari tajacu (Linnaeus, 1758) mostrou-se freqüente, sendo a quarta espécie em número de registros. Algumas espécies comuns em outros ambientes apresentaram baixos índices de registro no Parque Estadual do Turvo, tais como Dasypus novemcinctus Linnaeus, 1758 e Didelphis albiventris Lund, 1840. Finalmente, constata-se a provável extinção local de Tayassu pecari (Link, 1795), uma vez que não foram obtidos registros de sua presença ao longo do estudo. A conservação dos mamíferos de médio e grande porte do Parque está fortemente associada à preservação do "Corredor Verde de Misiones", que provavelmente representa uma área fonte para diversas espécies.


2020 ◽  
Vol 14 (1) ◽  
pp. 41-54
Author(s):  
Helimar Rabello ◽  
Luan Gonçalves Bissa ◽  
Gabriel Permanhane da Silva ◽  
Gilson Silva Filho ◽  
Cíntia Cristina Lima Teixeira ◽  
...  

A redução populacional de mamíferos é causada principalmente pela perda e fragmentação de habitats, em especial, no contexto da Mata Atlântica, além da caça e a introdução de espécies exóticas em ambientes naturais, como os cães domésticos. Este estudo teve como objetivo realizar um levantamento de mamíferos não-voadores e avaliar o impacto predatório de Canis lupus familiaris sobre esta comunidade, em uma área selecionada para a implantação da futura Área de Proteção Ambiental (APA) 'Morro Branco', no Sítio Morro Branco, Vargem Alta - ES, realizado entre fevereiro de 2015 e fevereiro de 2016. O levantamento ocorreu por meio de busca ativa por vestígios (pegadas, fezes e carcaças) e uso de armadilhas de gaiola e fotográficas. Foram registrados 18 táxons, distribuídos em 6 ordens e 10 famílias, totalizando 84 indivíduos. Três táxons foram classificados como abundantes (CTA): Nasua nasua (26%), Canis lupus familiaris (15%) e Didelphis aurita (14%). Quatro espécies constam como ameaçadas: Puma yagouaroundi, Puma concolor, Mazama Bororo e Callithrix flaviceps. A técnica que registrou maior número de táxons foi o registro de carcaças de animais predados, com 9 táxons, seguido de registro visual, com 8 espécies e uso de armadilha fotográfica, com 7 espécies. O registro de carcaças de animais predados por Canis lupus familiaris foi o método com maior número de registros exclusivos, como Puma yagouaroundi, Galisctis cuja e Mazama bororo, registrados apenas desta forma. 13 animais foram encontrados abatidos, com marcas de mordidas evidentes, correspondendo a 18% do total. As espécies mais predadas foram Didelphis aurita, Dasypus novemcinctus e Mazama americana. Canis lupus familiaris apresentou alta Abundância Relativa (15,48%) na área, tornando-se um fator de risco para a conservação de espécies ameaçadas, como Puma yagouaroundi e Puma concolor, que além de ataques, podem sofrer por competição. É urgente a tomada de ações conservacionistas e a elaboração de um plano de manejo para a criação da Área de Proteção Ambiental (APA) 'Morro Branco', tendo em vista a influência de animais exóticos sobre a fauna nativa, implicando diretamente na conservação da biodiversidade.


2017 ◽  
Vol 4 (3) ◽  
Author(s):  
Sidnei S. Dornelles ◽  
Guilherme H. Evaristo ◽  
Mateus Tosetto ◽  
Célio Massaneiro Jr. ◽  
Victor R. Seifert ◽  
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Na mata atlântica, reduzida a cerca de 12% de sua cobertura original, é inevitável que a riqueza mastofaunística esteja pressionada pelas atividades antrópicas. A Bacia Hidrográfica do Rio Cachoeira, inserida na malha urbana, possui fragmentos de floresta ainda pouco conhecidos em relação à sua diversidade. O objetivo deste trabalho foi analisar a ocorrência de mamíferos nos fragmentos florestais urbanos da Bacia Hidrográfica do Rio Cachoeira. A amostragem foi realizada em cinco fragmentos de floresta ombrófila densa, combinando diversos métodos: armadilhas de contenção viva, armadilhas fotográficas, redes de neblina, transecções para procura de vestígios, entrevistas e revisão na literatura. Foram registradas 32 espécies de 13 famílias e sete ordens, sendo duas espécies exóticas. Três espécies foram registradas nos cinco sítios: Dasypus novemcinctus, Carollia perspicillata e Canis familiaris. Cinco espécies foram registradas em quatro sítios: Didelphis aurita, Artibeus lituratus, Nasua nasua, Procyon cancrivorus e Dasyprocta azarae. Catorze espécies foram registradas somente em um dos cinco sítios. Do total de espécies, 56,3% são onívoras. A diversidade nos sítios não está relacionada ao tamanho dos fragmentos. Sugerem-se programas de monitoramento, controle de espécies exóticas, construção de corredores, enriquecimento e translocações.


Biotemas ◽  
2019 ◽  
Vol 32 (2) ◽  
pp. 107-113
Author(s):  
Alan Deivid Pereira ◽  
Matheus Henrique Antoniazzi ◽  
Ana Paula Vidotto-Magnoni ◽  
Mário Luís Orsi

O impacto de espécies exóticas sobre a fauna nativa está entre as maiores ameaças à biodiversidade global. O cão doméstico é considerado invasor quando acessa áreas naturais, podendo sobreviver independentemente da intervenção humana. No Brasil há poucos estudos com informações sobre o impacto da predação ou caça de cães sobre a fauna silvestre. Relatamos cinco eventos de predação de mamíferos silvestres por cães domésticos em fragmentos da Mata Atlântica na região norte do estado do Paraná, Brasil. Entre junho e setembro de 2018, espécimes de Didelphis albiventris (gambá-de-orelha-branca), Dasypus novemcinctus (tatu-galinha), Sapajus nigritus (macaco-prego) e Eira barbara (irara) foram abatidos por cão doméstico tanto em fragmentos de área urbana quanto de rural. Cães domésticos oferecem riscos à fauna silvestre inclusive àquelas espécies ameaçadas de extinção, sendo de extrema urgência ações diversificadas para eliminar e reduzir o acesso desses animais a fragmentos florestais. Nossos dados são um indicativo do impacto de cães domésticos sobre a fauna silvestre da Mata Atlântica no norte do estado do Paraná e podem dar suporte para medidas de controle, contenção e erradicação, obtendo-se assim a mitigação do impacto dos cães domésticos.


2020 ◽  
Vol 72 (2) ◽  
pp. 461-470
Author(s):  
D.S. Souza ◽  
S.G.N.S. Yang ◽  
A.C.A. Alves ◽  
R.M. Pontes ◽  
C.C.D. Carvalho ◽  
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RESUMO Devido à ausência de estudos sobre capivaras na região Nordeste do Brasil, o objetivo deste estudo foi avaliar a sanidade desses roedores de vida livre em três áreas dos biomas Mata Atlântica (2) e Caatinga (1) do estado de Pernambuco, por meio da determinação de parâmetros da hematologia e bioquímica sérica. De novembro de 2016 a dezembro de 2017, foram capturados 21 animais, dos quais foram coletadas amostras de sangue para avaliação hematológica (eritrograma, leucograma e plaquetometria) e bioquímica sérica (atividade enzimática, perfil proteico, energético e mineral). A maioria dos parâmetros esteve dentro dos valores de normalidade para a espécie, embora alguns apresentassem diferenças estatisticamente significativas de acordo com a área de estudo (hemoglobina, hematócrito, VCM, CHCM, eosinófilos, fosfatase alcalina, proteína total, albumina, ácido úrico, creatinina, lactato, sódio e magnésio) e o sexo dos animais (ácido úrico). Os parâmetros obtidos são apresentados como referência e atestam a sanidade e o bom estado nutricional de populações de capivaras nos biomas Mata Atlântica e Caatinga da região Nordeste do Brasil. As informações aportadas neste estudo pioneiro na região Nordeste contribuem para aumentar o conhecimento sobre a ecofisiologia e a conservação in situ de capivaras.


2017 ◽  
Vol 22 (40) ◽  
pp. 844
Author(s):  
Caio Ferreira ◽  
Douglas Pereira Lima Gomes ◽  
Andrea Chaguri ◽  
Nádia Maria Rodrigues De Campos Velho ◽  
Karla Andressa Ruiz Lopes

Os mamíferos desempenham um papel fundamental no ecossistema como o controle populacional e a regeneração de matas. Buscou-se com este trabalho, obter uma amostragem preliminar da mastofauna presente em um remanescente de floresta atlântica, utilizando-se de armadilha fotográfica, contribuindo com maiores informações a respeito do uso de habitat por estes animais na área de estudo, local característico de um corredor ecológico, devido a sua paisagem ser bem semelhante ao mesmo. Foram obtidos registros de seis espécies de mamíferos silvestres pertencentes a quatro famílias e três ordens: quatro Carnivora (Cerdocyon thous, Lontra longicaudis, Galictis cuja, Canis lupus familiaris), um Didelphimorphia (Didelphis aurita) e um Rodentia (Hydrochoerus hydrochaeris), sendo que não foi possível a identificação de uma espécie. Ressalta-se a importância da presença da espécie Lontra longicaudis, que possui o estado de conservação quase ameaçada no estado de São Paulo.


2018 ◽  
Vol 6 (10) ◽  
pp. 17-29
Author(s):  
Walas Cazassa Vieira ◽  
Anne Carulliny Monte ◽  
Patrick Cadena Teixeira

A preservação ambiental é de extrema importância para manter o equilíbrio ambiental no planeta. As unidades de conservação (UC) foram criadas no intuito de preservar o meio ambiente em diversas regiões. O Parque Nacional Serra dos Órgãos (PARNASO) é uma UC que abriga grande parte da flora e da fauna da Mata Atlântica brasileira, tornando-o uma importante unidade para a preservação da natureza. O PARNASO está situado no estado do Rio de Janeiro, nos municípios de Teresópolis, Petrópolis, Guapimirim e Magé, tendo uma área aproximada de 20.024 hectares. Apresenta clima mesotérmico brando superúmido com temperatura média anual variando de 13° a 23°C, relevo escarpado com grande variação de altitude. No parque nascem diversos rios como: Soberbo, Bananal, Sossego, Inhomirim, Magé, Santo Aleixo, Inconha e Corujas. O parque abriga diversas espécies animais e vegetais e neste artigo estão listadas e caracterizadas 6 espécies do reino Plantae e 6 espécies do reino Animalia são elas: Adenocalymma comosum, Chorisias speciosa, Buddleja stachyoides, Phalaenopsis hybridus, Tillandsia cyane, Euterpe edulis, Nasua nasua, Procyon cancrivorus, Cerdocyon thous, Brachyteles arachnoides, Alouatta guariba, Cebus nigritus.


2021 ◽  
Vol 25 (1) ◽  
pp. 101-125
Author(s):  
Juan M. Rodríguez ◽  
Mariano Bonomo

El sitio arqueológico Cerro Tapera Vázquez (CTV) se encuentra dentro del Parque Nacional Pre-Delta, en el ambiente insular del río Paraná. Dos dataciones radiocarbónicas sobre restos de carbón vegetal ubican la ocupación humana en torno a los 600 años radiocarbónicos AP. En este artículo se presentan nuevos resultados obtenidos a partir del reanálisis del conjunto faunístico de este sitio arqueológico. Se identificaron diferentes especies de mamíferos, las cuales incluyen cérvidos (Blastocerus dichotomus, Ozotoceros bezoarticus), carnívoros (Leopardus geoffroyi, Lycalopex gymnocercus) y roedores (Myocastor coypus, Cavia aperea, Hydrochoerus hydrochaeris). Además, en menor medida, se identificaron algunos restos de aves (Podiceps major), peces (Pimelodus sp., Doradidae) y moluscos de agua dulce. La principal presa explotada fue el coipo (Myocastor coypus). Por otra parte, la presencia de otros recursos acuáticos y terrestres probablemente se deba a la caza ocasional (e.g. Leopardus geoffroyi) o a su incorporación natural al depósito (e.g. Cavia aperea).


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