scholarly journals Crianças institucionalizadas e crianças em meio familiar de vida: Representações de vinculação e problemas de comportamento associado

2012 ◽  
Vol 27 (4) ◽  
pp. 509-521 ◽  
Author(s):  
Joana Pinhel ◽  
Nuno Torres ◽  
Joana Maia

Esta investigação comparativa incide sobre a representação de vinculação e problemas de comportamento em crianças institucionalizadas. Foram avaliadas 35 crianças portuguesas em idade pré-escolar e escolar, em dois grupos: 19 crianças institucionalizadas e 16 crianças vivendo com as suas famílias de origem. Recorreu-se ao Attachment Story Completion Task (ASCT), avaliando-se, pela construção das narrativas, os valores de Segurança e Coerência das representações de vinculação. Para a avaliação dos problemas de comportamento recorreu-se ao instrumento I.C.C.P (Fonseca et al., 1994), que corresponde à versão portuguesa do “Child Behavior Checklist”, CBCL, de Achenbach (1991). Os resultados indicam que existem correlações negativas entre a qualidade das representações da vinculação e problemas de comportamento agressivo e de isolamento. Conclui-se que o meio de vida da criança foi determinante no tipo de vinculação demonstrada e indirectamente no comportamento de agressividade e isolamento manifestado.

2012 ◽  
Vol 26 (3) ◽  
pp. 411-422
Author(s):  
Filipa Silva ◽  
Marília Fernandes ◽  
Manuela Veríssmo ◽  
Nana Shin ◽  
Brian E. Vaughn ◽  
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Estuda-se, numa amostra que contempla dois países – Portugal e Estados Unidos da América –, a estabilidade da qualidade da vinculação, na relação mãe criança, analisando-se o comportamento de base segura na relação mãe-criança nos primeiros anos de vida e as representações mentais da criança acerca desta relação, no pré-escolar. Os participantes são 25 díades mãe-criança portuguesas e 47 díades mãe-criança americanas. Utiliza-se o Attachment Behaviour Q-Set (AQS) (Waters, 1995) para avaliar os comportamentos de base segura e, três anos mais tarde, aplica-se às crianças o Attachment Story Completion Task (ASCT) (Bretherton & Ridgeway, 1990) que avalia a qualidade e a segurança das representações internas da relação de vinculação. Os resultados mostram que, nesta amostra, há uma estabilidade da vinculação entre os 2-3 anos de idade e os 5-6 anos de idade. O valor de segurança do AQS está correlacionado positiva e significativamente com a dimensão de segurança do ASCT. Nesta amostra, os modelos internos dinâmicos parecem permanecer relativamente estáveis ao longo de um período significativo de tempo.


2015 ◽  
Vol 33 (3) ◽  
pp. 335-349
Author(s):  
Mafalda Figueiredo ◽  
Ana Gatinho ◽  
Nuno Torres ◽  
Alexandra Pinto ◽  
António J. Santos ◽  
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Durante o período pré-escolar as relações que a criança estabelece com os principais cuidadores e com os pares são de importância fundamental para o seu desenvolvimento socioemocional. Contudo, são poucos os estudos acerca da relação entre a vinculação das crianças aos pais e a forma como brincam com os pares. Pretende-se com este estudo investigar a associação entre as representações de vinculação de crianças pré-escolares e diferentes dimensões do jogo interativo das mesmas. Participaram 66 crianças, entre os 4 e os 5 anos de idade, e respetivos educadores, de duas escolas distintas. A qualidade das representações de vinculação foi acedida através do Attachment Story Completion Task (ASCT), cujas histórias foram codificadas por três investigadores “cegos”. Obteve-se um acordo interjuízes entre 0.81 e 0.85. Os comportamentos de jogo interativo em contexto pré-escolar foram reportados pelos educadores através da Penn Interactive Peer Play Scale (PIPPS). Obtiveram-se resultados psicométricos satisfatórios nesta escala e as análises revelaram três dimensões fiáveis: Interação Positiva com os Pares, Disrupção, e Desconexão. Detetou-se  uma associação positiva estatisticamente significativa entre a Segurança das representações de vinculação e a Interação Positiva com os Pares (r = 0.28; p < 0.05), e associações significativas negativas entre a Segurança e a Disrupção (r = -0.32; p < 0.05) e a Segurança e a Desconexão (r = -0.43; p = 0.001). Os nossos resultados evidenciam a associação entre relações seguras de vinculação e o modo como as crianças interagem ludicamente com os pares e, portanto, na sua competência social


2010 ◽  
Vol 35 (6) ◽  
pp. 858-865 ◽  
Author(s):  
Sanny Smeekens ◽  
J. Marianne Riksen-Walraven ◽  
Hedwig J.A. Van Bakel ◽  
C. de Weerth

2019 ◽  
Vol 37 (1) ◽  
pp. 71-80
Author(s):  
Carla Fernandes ◽  
Manuela Verissimo ◽  
Marilia Fernandes ◽  
Marta Antunes ◽  
António J. Santos ◽  
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As associações entre a segurança da vinculação e múltiplos aspetos do desenvolvimento emocional têm sido estudadas durante várias décadas. Embora estes estudos sejam válidos, algumas respostas relacionadas com as representações de vinculação e o conhecimento emocional continuam em aberto. Participaram neste estudo crianças de idade pré-escolar (N=40). Utilizámos o Attachment Story Completion Task como medida de vinculação das crianças, com as representações a serem avaliadas enquanto acesso e uso do script de base segura (SBS) para organizar as narrativas de vinculação das crianças. O conhecimento emocional foi avaliado com recurso ao Teste do Conhecimento das Emoções. O nosso principal objetivo era demonstrar que o SBS se comporta como uma típica medida das representações de vinculação, no que diz respeito à sua associação com a compreensão das emoções por parte das crianças. Os resultados sugerem que as crianças com histórias de vinculação segura tendem a ter uma maior base de conhecimento emocional. A medida de SBS comportou-se de forma semelhante a outras medidas de segurança de vinculação, sugerindo a sua validade enquanto medida de representações de vinculação durante a infância.


2012 ◽  
Vol 29 (3) ◽  
pp. 403-424
Author(s):  
Joana Maia ◽  
Manuela Veríssimo ◽  
Bruno Ferreira ◽  
Lígia Monteiro ◽  
Marta Antunes

Visando identificar diferenças individuais no modo como as crianças encenam uma variedade de situações relacionadas com a vinculação, o Attachment Story Completion Task (ASCT, Bretherton & Ridgeway, 1990) tem sido utilizado em diferentes culturas, sendo uma das metodologias narrativas de completamento de histórias mais utilizadas durante o período pré-escolar. Não obstante o vasto reconhecimento do seu valor, tanto clínico como empírico, mais estudos revelam-se indispensáveis para confirmar a validade discriminativa do ASCT face a medidas de competência verbal, bem como para clarificar alguns aspectos relacionados com a sua fiabilidade. Procurando contribuir para uma melhor compreensão da utilização do instrumento na população portuguesa, o presente estudo debruça-se especificamente sobre a potencial influência da idade e do Q.I. verbal nas respostas dadas pelas crianças. O ASCT foi aplicado a 159 crianças em idade pré-escolar e escolar (M=66.11, DP=9.96),tendo o desempenho dos sujeitos ao longo da tarefa sido analisado através de uma escala contínua de segurança, por investigadores independentes, previamente treinados. Os valores de segurança (quer história a história, quer no conjunto das histórias) não apresentaram associações relevantes com nenhuma das variáveis sócio-demográficas consideradas, nem com a idade dos participantes. Foi, no entanto, encontrada uma associação positiva, de fraca intensidade com o Q.I. verbal, estimado através da WPPSI-R [Wechsler, 1989) [r=.16, p(unilateral)<.05]. A estabilidade da medida foi explorada numa sub-amostra de 34 sujeitos, após um intervalo temporal de, aproximadamente, 11 meses. Verificou-se que, embora haja uma tendência para o desempenho global dos sujeitos ser avaliado, em termos da média grupal, de forma significativamente mais elevada [t(33)=2.50, p(unilateral)<.01, d=.49], quando avaliada intra-sujeitos, a segurança mostra-se moderadamente estável (r=.33, p<.05, n=34). Finalmente, foram encontradas evidências que sugerem influências recíprocas, ao longo do desenvolvimento, entre aspectos associados à segurança das representações e capacidade verbal.


2016 ◽  
Vol 20 (1) ◽  
pp. 48-72 ◽  
Author(s):  
Kimberly R. Kelly

Abstract This study examined the roles of child gender and attachment in mother-child narrative conversations and child independent narratives. Children (Mage = 56 months) told personal narratives independently and while engaged in narrative conversations with their mothers. The Attachment Story Completion Task-Revised (Verschueren & Marcoen, 1994) measured child attachment representations. Results indicated that attachment was linked to maternal conversational style and child independent narratives. Mothers with secure sons continued their topics more than mothers of secure daughters, and secure boys’ independent narratives were less elaborative than those of secure girls. However, no gender differences were found among insecure dyads. We argue that mothers of secure boys sensitively recognize their sons’ cues within the conversational context and respond to the need for further verbal assistance, thus providing more on-topic replies in narrative conversations.


2013 ◽  
Vol 24 (3) ◽  
pp. 576-590 ◽  
Author(s):  
Helene Werner ◽  
Salome Zahn ◽  
Karl Titze ◽  
Susanne Walitza ◽  
Marina Zulauf Logoz

1978 ◽  
Vol 21 (4) ◽  
pp. 722-731 ◽  
Author(s):  
Lynn S. Bliss ◽  
Doris V. Allen ◽  
Georgia Walker

Educable and trainable mentally retarded children were administered a story completion task that elicits 14 grammatical structures. There were more correct responses from educable than from trainable mentally retarded children. Both groups found imperatives easiest, and future, embedded, and double-adjectival structures most difficult. The children classed as educable produced more correct responses than those termed trainable for declarative, question, and single-adjectival structures. The cognitive and linguistic processing of both groups is discussed as are the implications for language remediation.


Author(s):  
A. Gosch

Zusammenfassung: Fragestellung: In der vorliegenden Studie sollte geklärt werden, ob sich Mütter von Kindern mit geistiger Behinderung unterschiedlicher Ätiologie (Williams-Beuren-Syndrom - WBS, Down-Syndrom - DS, nichtsyndromaler Ätiologie - LB/GB) von Müttern nichtbehinderter Kinder in ihrem Belastungserleben unterscheiden. Methodik: Es wurden 85 Mütter von Kindern mit WBS, DS, LB/GB und Mütter von nichtbehinderten Kindern (VG) mithilfe des Patenting Stress Indexes (PSI) befragt. Den Müttern wurde zusätzlich die Child Behavior Checklist (CBCL) vorgelegt, um kindliche Verhaltensauffälligkeiten zu erfassen. Die Parallelisierung fand anhand desAlters der Kinder, des Geschlechts und der Wortschatztestleistung im Hamburg Wechsler Intelligenztest (HAWIK-R) statt. Ergebnisse: Mütter von Kindern mit WBS und DS weisen einen signifikanten höheren PSI-Gesamtstresswert auf als Mütter von Kindern mit LB/GB und VG. Dieses Ergebnis ist auf signifikante Unterschiede zwischen den Gruppen bezüglich des kindbezogenen Stresses, aber nicht der elternbezogenen Belastung, zurückzuführen. Auf Subskalenebene des Kinderbereichs fühlen sich Mütter von Kindern mit WBS und DS im Vergleich zu den anderen beiden Gruppen signifikant durch die kindlichen Anforderungen und dem wenig akzeptablen Verhalten ihres Kindes belastet. Mütter von Kindern mit LB/GB beschreiben sich ebenfalls als signifikant belasteter durch ein unakzeptables kindliches Verhalten als Mütter normalentwickelter Kinder. Mütter von Kindern mit WBS schätzen ihre Belastung durch ein hyperaktives Verhalten, eine geringe Anpassungsfähigkeit und größere Stimmungslabilität ihrer Kinder signifikant höher ein als Mütter der anderen drei Gruppen. Bezüglich des Erwachsenenbereichs schätzen sich Mütter von Kindern mit DS als signifikant depressiver und weniger kompetent in ihrem Erziehungsverhalten ein und geben mehr Gesundheitssorgen an als Mütter der anderen drei Gruppen. Mütter von Kindern mit LB/GB fühlen sich im Vergleich zu den anderen Gruppen am wenigsten durch partnerschaftliche Probleme belastet und in ihrer elterlichen Rolle eingeschränkt. Kein Zusammenhang kann zwischen dem kindlichen Alter, dem sozioökonomischen Status und dem Belastungsgrad gesehen werden, allerdings korrelieren der Grad der geistigen Behinderung als auch der Verhaltensauffälligkeiten signifikant mit dem mütterlichen Belastungsgrad. Schlussfolgerung: Es kann festgehalten werden, dass es sowohl allgemeine Belastungsfaktoren wie die hohen Anforderungen durch das Kind und sein unakzeptableres Verhalten gibt, die mit einer kindlichen Behinderung einhergehen als auch spezifische, die mit dem Verhaltensphänotyp eines Syndroms assoziiert sind.


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